Evangélicos e Ética no Brasil.
A ética evangélica tem uma característica marcante que é a baseada na moralidade pessoal. Valores centrados em relação a comportamentos específicos, considerados pecaminosos, as igrejas evangélicas brasileiras não conseguem se diferenciar significativamente do ethos nacional.
Ethos , de maneira geral, os traços característicos de um grupo, do ponto de vista social e cultural, que o diferencia de outros. Seria assim, um valor de identidade social.
Notamos claramente que o patriarcalismo, personalismo, familismo, privatismo e messianismo, marcam o modo se ser da maioria das igrejas evangélicas protestantes brasileiras, essas marcas dificultam o desenvolvimento ético e teológico nas nossas igrejas.
O paradoxo pregado de “temos que ser diferentes” vem num pacote conservador da moralidade tão rígido social e políticamente, que não nos permite fazer diferença nenhuma além, alias questionável, do testemunho pessoal.
As idéias tratadas neste texto são apenas três aspectos para termos uma ética evangélica relevante e contemporânea, não moderna.
Note que as relações sociais entre os evangélicos têm mudado. Durante a minha infância, década de 70, não era comum achar outro crente na mesma escola e mais difícil ainda na mesma sala de aula. Isso para não dizer que nossa significância no quadro político e cultural do país era irrelevante.
Nossas igrejas eram caracterizadas, no ethos evangélicos, por uma série de negações: não fumar, não beber, não adulterar, não ir ao cinema, não gostar de carnaval, não divorciar e muitos outros “nãos”. Também éramos reconhecidos por nosso “testemunho pessoal” como exemplo de honestidade, integridade, esforço profissional, confiáveis, tudo relacionado a uma ética individual de cumprimento de deveres.
A ética praticada era baseada em valores e comportamentos de missionários norte-americanos, típicos de classe média patriarcalista, sem expressão na vida política e cultural do país.
Isso mudou, o número de evangélicos é enorme, de acordo com as estatísticas quase 20% dos brasileiros, outro dia, numa obra de uma grande empresa extratora de petróleo brasileira que participei, estávamos reunidos, oito pessoas, na área de vivência na hora do almoço e não só éramos quase todos evangélicos como a maioria era pastor.
Com o crescimento de diversas e novas igrejas a ética evangélica continua baseada em questões de conduta e comportamento, a diferença real é que nossa consciência social e política nasceu e está em franco crescimento.
Ao mesmo tempo as demonstrações e o reconhecimento do velho “testemunho pessoal” está cada vez mais relaxado, a adaptação aos valores individualistas de consumo e indiferença, corrupção, desonestidade, escândalos: sexuais, financeiros e morais, são muito comuns.
O problema ficou tão grande que quando se fala de evangélico estamos nos referindo a que? Talvez a frase “eu não falo mais que sou evangélico digo que sou cristão” fique cada vez mais usada.
As obras sociais (escolas, hospitais, creches, asilos, orfanatos) da igreja evangélica, que sempre foram praticadas desde sua chegada ao Brasil, não eram parte da expressão da sua ética, somente com início significativo da atuação das ONGs com ênfase na necessidade de uma ética social e política, desenvolve-se o aspecto social, a consciência e a prática do bem ao próximo, bem como no aspecto político a representatividade democrática.
Esses novos campos nos desafiam a propor uma teologia cristã e não ideologia, pois a formação de códigos de conduta podem gerar, novamente, condenações moralistas.
Um caminho viável para a ética evangélica, teologicamente, passa pelo relacionamento teologia, espiritualidade e missão, pela liberdade proposta por Paulo na carta aos Gálatas.
Jesus nos liberta da escravidão e nos dá espaço para, na condição humana, agirmos como colaboradores do Espírito na ação libertadora. Está ação baseada na fé, e fé que Jesus é o libertador, alias, libertador não somente do nosso gueto mas, de toda humanidade.
A ética nos compele a tomar decisões e é mediante ao pensamento teológico que uma comunidade cristã define as razões e motivos para tomar decisões e agir. As razões cristãs são baseadas em amor, sem defesa de interesses ou grupos, com vistas a uma sociedade que se construa e viva os valores do reino de Deus, como na escatologia cristã do “Já” e o “Ainda não.”
Finalmente a construção de uma ética que forme pessoas melhores e sociedades melhores, caracterizadas pelo amor, liberdade e comunhão com Deus.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
sábado, 21 de agosto de 2010
Reforma, Teologia e Ética Social.
Reforma, Teologia e Ética Social.
Os termos usados neste estudo estão tão relacionados que é muito difícil separá-los, de acordo com o princípio protestante. A condição de movimento de renovação é essencial à reforma. O caráter renovador da reforma foi substituído pelo engessamento institucional das igrejas históricas muito semelhante a situação da igreja antes da reforma, ainda assim o desejo de renovação continua vivo nos novos modelos de igreja.
Hoje precisamos de uma renovação protestante, baseada numa teologia relevante para nosso tempo, permeada de ética verdadeiramente cristã.
Algumas características da relação entre modernidade e protestantismo causam, talvez, o rompimento da relação intrínseca entre renovação, teologia e ética.
A adoção da idéia individualista passa pela aparência de fervor protestante nos tornando consumidores ferozes de músicas, bens religiosos, negociadores de bens materiais com Deus para nossa satisfação efêmera, perpetuadores de uma cultura de “defensores da fé” com caráter belicoso, com gestos manchados pelas atitudes de indiferença e egoísmo, mais amantes das bênçãos (dinheiro, bens materiais) do que da cruz de Cristo Jesus.
A reforma se afastou definitivamente do modelo de Igreja cristã e Estado unidos no governo. Apesar dessa discussão também gerar ambigüidades, havia uma clara distinção entre governos espiritual e temporal. O ideal de bem-comum da reforma foi se perdendo, até chegarmos hoje com instrumentos de favorecimento próprio como, por exemplo, a famigerada bancada evangélica, o “levar vantagem” também permeia o pensamento cristão evangélico nacional, somos tão parecidos, quanto parte dos conluios políticos e institucionais.
A outra característica que nos afeta é o enlace com o racionalismo, a fé racionalista não supre nossa relação com Deus, com o mundo e com nossa realidade. Desde cedo, movimentos de renovação dentro do protestantismo lutaram contra o racionalismo, porém, com o tempo esses mesmos movimentos também foram se fragmentando, afetados pelos mesmos fatores contra os quais lutavam.
Hoje, no Brasil, o desdém pelo estudo disciplinado e por uma teologia com ética é patente, frases como “quanto mais intelectual, tanto mais carnal”, ou, em forma ainda mais perigosa - “quanto mais irracional, tanto mais espiritual”, ajudam a desvincular a fé da teologia, da ética e dos alicerces protestantes.
A atitude anti-teológica, aquela que identifica teologia com heresia, racionalismo e falta de fé, é muito forte. Por outro lado a atitude academicista também é uma forma radical e incapaz de reunificar a fé, que se renova, a teologia e a ética.
A teologia é uma atividade que tem por objetivo a elaboração teórica de conceitos e praticada por pessoas dirigidas pelo Espírito Santo a reflexão, alias, essa prática seria impossível sem essa direção. A teologia não pretende substituir os evangelismos, cultos e atividades da igreja, mas em gerar discernimento, no nosso caso, cristão. Ao Recuperar o valor e a presença da teologia, e a da espiritualidade, não podemos nos praticar espiritualidades emocionalistas, irrefletidas, precisamos de uma teologia que ajude a nutrir as práticas espirituais cotidianas do povo de Deus.
A teologia cristã, que compreende a realidade e que dialoga é caracterizada, primeiramente, por sua contextualidade.
Não faz sentido construir teologias fora de contexto, portanto, importar teologias não faz o menor sentido, uma vez que o princípio protestante é estar sempre em reforma e não cópias.
A crítica e a ética, a teologia cristã e a reflexão, o questionamento a política, a economia, as instituições, sexualidade, etc. fazem parte de um todo inseparável que a serviço e resgate de muitos não serve como e nem para a perpetuação do poder mas, dirige as pessoas didaticamente como um pastor, mostrando o caminho da liberdade e responsabilidade.
A Crítica, como discernimento, não com o objetivo de apontar erros, mas, com o alvo de compreender situações, ações, valores, instituições, etc. Compreender e descrever, apontando acertos e erros, ligando o presente ao passado, imaginando futuros possíveis. A criticidade da teologia nos encaminha à construção de um futuro novo e melhor.
Os termos usados neste estudo estão tão relacionados que é muito difícil separá-los, de acordo com o princípio protestante. A condição de movimento de renovação é essencial à reforma. O caráter renovador da reforma foi substituído pelo engessamento institucional das igrejas históricas muito semelhante a situação da igreja antes da reforma, ainda assim o desejo de renovação continua vivo nos novos modelos de igreja.
Hoje precisamos de uma renovação protestante, baseada numa teologia relevante para nosso tempo, permeada de ética verdadeiramente cristã.
Algumas características da relação entre modernidade e protestantismo causam, talvez, o rompimento da relação intrínseca entre renovação, teologia e ética.
A adoção da idéia individualista passa pela aparência de fervor protestante nos tornando consumidores ferozes de músicas, bens religiosos, negociadores de bens materiais com Deus para nossa satisfação efêmera, perpetuadores de uma cultura de “defensores da fé” com caráter belicoso, com gestos manchados pelas atitudes de indiferença e egoísmo, mais amantes das bênçãos (dinheiro, bens materiais) do que da cruz de Cristo Jesus.
A reforma se afastou definitivamente do modelo de Igreja cristã e Estado unidos no governo. Apesar dessa discussão também gerar ambigüidades, havia uma clara distinção entre governos espiritual e temporal. O ideal de bem-comum da reforma foi se perdendo, até chegarmos hoje com instrumentos de favorecimento próprio como, por exemplo, a famigerada bancada evangélica, o “levar vantagem” também permeia o pensamento cristão evangélico nacional, somos tão parecidos, quanto parte dos conluios políticos e institucionais.
A outra característica que nos afeta é o enlace com o racionalismo, a fé racionalista não supre nossa relação com Deus, com o mundo e com nossa realidade. Desde cedo, movimentos de renovação dentro do protestantismo lutaram contra o racionalismo, porém, com o tempo esses mesmos movimentos também foram se fragmentando, afetados pelos mesmos fatores contra os quais lutavam.
Hoje, no Brasil, o desdém pelo estudo disciplinado e por uma teologia com ética é patente, frases como “quanto mais intelectual, tanto mais carnal”, ou, em forma ainda mais perigosa - “quanto mais irracional, tanto mais espiritual”, ajudam a desvincular a fé da teologia, da ética e dos alicerces protestantes.
A atitude anti-teológica, aquela que identifica teologia com heresia, racionalismo e falta de fé, é muito forte. Por outro lado a atitude academicista também é uma forma radical e incapaz de reunificar a fé, que se renova, a teologia e a ética.
A teologia é uma atividade que tem por objetivo a elaboração teórica de conceitos e praticada por pessoas dirigidas pelo Espírito Santo a reflexão, alias, essa prática seria impossível sem essa direção. A teologia não pretende substituir os evangelismos, cultos e atividades da igreja, mas em gerar discernimento, no nosso caso, cristão. Ao Recuperar o valor e a presença da teologia, e a da espiritualidade, não podemos nos praticar espiritualidades emocionalistas, irrefletidas, precisamos de uma teologia que ajude a nutrir as práticas espirituais cotidianas do povo de Deus.
A teologia cristã, que compreende a realidade e que dialoga é caracterizada, primeiramente, por sua contextualidade.
Não faz sentido construir teologias fora de contexto, portanto, importar teologias não faz o menor sentido, uma vez que o princípio protestante é estar sempre em reforma e não cópias.
A crítica e a ética, a teologia cristã e a reflexão, o questionamento a política, a economia, as instituições, sexualidade, etc. fazem parte de um todo inseparável que a serviço e resgate de muitos não serve como e nem para a perpetuação do poder mas, dirige as pessoas didaticamente como um pastor, mostrando o caminho da liberdade e responsabilidade.
A Crítica, como discernimento, não com o objetivo de apontar erros, mas, com o alvo de compreender situações, ações, valores, instituições, etc. Compreender e descrever, apontando acertos e erros, ligando o presente ao passado, imaginando futuros possíveis. A criticidade da teologia nos encaminha à construção de um futuro novo e melhor.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Diálogo Inter-religioso
Ensaio sobre definição teológica e implicações práticas da relação entre a exclusividade de Cristo para a salvação e o diálogo inter-religioso.
Um ensaio sobre a definição teológica da exclusividade de Cristo para a salvação já é um tema bastante complexo, a tentativa de associar esse tema ao diálogo inter-religioso é tarefa para teólogos, o que pretendo estudar neste ensaio são idéias embrionárias, muitas vezes difíceis de entender, aliás, é um assunto que se demonstra um campo minado no meio das igrejas evangélicas uma vez que ninguém quer passear por esses campos.
O povo de Deus tem como vocação o estabelecimento de pontes de diálogo entre as pessoas e Deus, entre todas e cada uma das pessoas, entre os elementos da criação e as pessoas, ou seja, a reconciliação da criação com o criador.
Ao pensarmos na obra de Cristo do ponto de vista da reconciliação caminhamos para um agir de Deus de forma plena, abrangente, universal (pluriversal no sentido vanguardista dos cientistas que estudam o cosmos), sua ação foi completa, entender que esta obra se aplica somente aos assuntos religiosos perdemos muito da profundidade, nobreza e dimensão próprios de um Deus de amor.
Vamos mais longe nesse pensamento, ao aliar esse ponto de vista a uma aproximação, leitura integral da Bíblia, abandonando a visão dualista de interpretação temos não mais um campo minado, mas um vasto campo para explorar.
Cabe aqui um esclarecimento, o dualismo é uma doutrina religiosa que concebe o mundo na coexistência de dois poderes ou princípios, como trevas e luz (Pérsia); masculino e feminino (China); santo e profano (todas as religiões).
A exclusividade de Cristo é um tema que também é tratado pelo ponto de vista dualista a compreensão de ser ou não, estar ligado ao corpo ou estar fora dele, e tudo isso pela confissão verbal a partir de interpretações literais de textos bíblicos que possuem estilos literários próprios e de um povo muito distante no tempo e na cultura, talvez, isso faça entender que essa exclusividade deva ser aplicada dualisticamente.
Perdendo, portanto, a face integral da ação de Jesus Cristo na vida, ministério, cruz e ressurreição.
A expressão contrária a famosa frase “fora da igreja não há salvação”, ou outras conhecidas como “a bíblia é a fonte da salvação” pela “só em Cristo há salvação”.
A noção de que alguém tem ser reconhecido como cristandade (pela oração do pecador ou batismo ou ainda confissão pública) e pela cristandade (ser aceito numa comunidade pelo exame de um conselho de presbiteros - no sentido de mais velhos na fé) para ser cristão, torna o "ser cristão" um modo de viver como antes de Cristo por meio de leis, dogmas e uma opressão.
Opressão da qual Cristo veio nos livrar, aliás, essa idéia cria e fortalece as hierarquias, classes, que se acham os donos e protetores da santa igreja.
A ética colocada em prática por nós ocidentais, que dividimos a sociedade em classes, não significa, nem de longe, estar ou conter algo presunçosamente certa, ou “bíblica”.
O estilo de vida proposto por Cristo é somente a vida, reconciliada com Deus e isso é completo e universal na ação de Cristo.
Devemos então entender sob uma óptica as ações das comunidades de ajuntamentos (igrejas) e suas ações evangelizadoras e missionárias, ações que são práticas e dentro da cultura, deixar de lado o estilo imposto – classe média, consumista, capitalista, literalista bíblico, individualista, moralista e dualista – e caminhar rumo a espiritualidade que ama e reconcilia.
O estilo de Cristo não conquista como nas guerras, mas reconcilia e liberta, não gera pensamentos iguais, mas cria a possibilidade de unidade, sem estratégias, mas com relacionamentos, sem guerras, mas criando a paz, suave, harmônica e cósmica.
Neste espírito é possível um diálogo inter-religioso, então a igreja não se sentirá ameaçada nem na sua identidade, nem na sua fidelidade a Palavra de Deus.
Um ensaio sobre a definição teológica da exclusividade de Cristo para a salvação já é um tema bastante complexo, a tentativa de associar esse tema ao diálogo inter-religioso é tarefa para teólogos, o que pretendo estudar neste ensaio são idéias embrionárias, muitas vezes difíceis de entender, aliás, é um assunto que se demonstra um campo minado no meio das igrejas evangélicas uma vez que ninguém quer passear por esses campos.
O povo de Deus tem como vocação o estabelecimento de pontes de diálogo entre as pessoas e Deus, entre todas e cada uma das pessoas, entre os elementos da criação e as pessoas, ou seja, a reconciliação da criação com o criador.
Ao pensarmos na obra de Cristo do ponto de vista da reconciliação caminhamos para um agir de Deus de forma plena, abrangente, universal (pluriversal no sentido vanguardista dos cientistas que estudam o cosmos), sua ação foi completa, entender que esta obra se aplica somente aos assuntos religiosos perdemos muito da profundidade, nobreza e dimensão próprios de um Deus de amor.
Vamos mais longe nesse pensamento, ao aliar esse ponto de vista a uma aproximação, leitura integral da Bíblia, abandonando a visão dualista de interpretação temos não mais um campo minado, mas um vasto campo para explorar.
Cabe aqui um esclarecimento, o dualismo é uma doutrina religiosa que concebe o mundo na coexistência de dois poderes ou princípios, como trevas e luz (Pérsia); masculino e feminino (China); santo e profano (todas as religiões).
A exclusividade de Cristo é um tema que também é tratado pelo ponto de vista dualista a compreensão de ser ou não, estar ligado ao corpo ou estar fora dele, e tudo isso pela confissão verbal a partir de interpretações literais de textos bíblicos que possuem estilos literários próprios e de um povo muito distante no tempo e na cultura, talvez, isso faça entender que essa exclusividade deva ser aplicada dualisticamente.
Perdendo, portanto, a face integral da ação de Jesus Cristo na vida, ministério, cruz e ressurreição.
A expressão contrária a famosa frase “fora da igreja não há salvação”, ou outras conhecidas como “a bíblia é a fonte da salvação” pela “só em Cristo há salvação”.
A noção de que alguém tem ser reconhecido como cristandade (pela oração do pecador ou batismo ou ainda confissão pública) e pela cristandade (ser aceito numa comunidade pelo exame de um conselho de presbiteros - no sentido de mais velhos na fé) para ser cristão, torna o "ser cristão" um modo de viver como antes de Cristo por meio de leis, dogmas e uma opressão.
Opressão da qual Cristo veio nos livrar, aliás, essa idéia cria e fortalece as hierarquias, classes, que se acham os donos e protetores da santa igreja.
A ética colocada em prática por nós ocidentais, que dividimos a sociedade em classes, não significa, nem de longe, estar ou conter algo presunçosamente certa, ou “bíblica”.
O estilo de vida proposto por Cristo é somente a vida, reconciliada com Deus e isso é completo e universal na ação de Cristo.
Devemos então entender sob uma óptica as ações das comunidades de ajuntamentos (igrejas) e suas ações evangelizadoras e missionárias, ações que são práticas e dentro da cultura, deixar de lado o estilo imposto – classe média, consumista, capitalista, literalista bíblico, individualista, moralista e dualista – e caminhar rumo a espiritualidade que ama e reconcilia.
O estilo de Cristo não conquista como nas guerras, mas reconcilia e liberta, não gera pensamentos iguais, mas cria a possibilidade de unidade, sem estratégias, mas com relacionamentos, sem guerras, mas criando a paz, suave, harmônica e cósmica.
Neste espírito é possível um diálogo inter-religioso, então a igreja não se sentirá ameaçada nem na sua identidade, nem na sua fidelidade a Palavra de Deus.
sábado, 10 de julho de 2010
Protestantismo Tupiniquim, Modernidade e Democracia
Protestantismo Tupiniquim, Modernidade e Democracia
Definir o protestantismo brasileiro é uma tarefa árdua, nota-se claramente a presença dos protestantes, ou melhor, evangélicos, pentecostais e neo pentecostais na sociedade brasileira. A falta de unidade e de característica comuns também dificulta ainda mais esse ponto. Diferente dos católicos que possuem uma instituição central única e um comando único, com aspetos comuns que vão até as liturgias, os protestantes brasileiros vão se caracterizar pelo apelo conversionista, o denominacionalismo e a condição minoritária.
A discussão sobre a modernidade e o protestantismo não era tema da reforma mas a idéia de que o indivíduo tinha a liberdade para se relacionar com o divino, ler e interpretar a bíblia sem a necessidade de uma autoridade eclesiástica, talvez fosse a semente para que o individualismo germinasse.
Esse individualismo do protestantismo seria a forma de contraponto ao catolicismo, e caminharia junto com as idéias dos missionários estrangeiros envoltos numa cultura expansionista do liberalismo. Nem tudo era mal como, por exemplo, o fortalecimento da noção de individuo na sociedade brasileira.
Apesar de que, nas novas formas de protestantismo brasileiro, a ênfase numa conversão individual esta cada vez menor em termos de exigências, pois a cada dia estas instituições se parecem mais com as religiões afro-brasileiras, num verdadeiro mercado de bênçãos onde o participante oferece algo em troca dos serviços religiosos que lhe serão prestados, ainda assim os aspectos individualizantes estão bem presentes.
Esse processo de conversão e rompimento com a antiga - católica - religião geralmente contribui para a secularização e não para uma vida ainda mais religiosa. Em estudos recentes é admirável que os sem religião em mais de 28% dos casos venham de igrejas evangélicas, talvez o fato de terem rompido com o catolicismo, participado de outra igreja e rompido com esta também torna a essa pessoa impossível se identificar como católico não praticante. Nesta sociedade cada vez mais secularizada, na maior parte das vezes crendo em Deus, as pessoas conseguem estruturar a sua espiritualidade fora das formalidades da religião.
O denominacionalismo divide os protestantes no Brasil e causa espanto, pois temos um paradoxo incrível, o elemento que nos unifica é o fato comum do contínuo divisionismo. Esse fenômeno incomoda tanto os religiosos quanto os ateus, alias, incomoda o senso comum saber que, por exemplo, no Rio de Janeiro nasce uma igreja nova por dia. Episódio esperado pois em nosso gene esta o livre exame das escrituras, liberdade de interpretação bíblica, não estamos mais atrelados a ritos ou a uma sede em Roma.
Há ainda uma outra “classe” de protestante os denominacionalmente transplantados tais como Batistas, Presbiterianos, Metodista, Menonitas, etc. esses ainda não conseguiram se aculturar mantendo os modelos culturais norte americanos.
Somos minoritários, os protestantes, e estivemos na contramão dos fatos históricos no Brasil, o medo da guerra fria, a cortina de ferro, o perigo comunista, as igrejas presbiterianas, por exemplo, caçaram comunistas dentro das próprias paredes em igrejas e seminários com notícias de entrega dos próprios membros a repressão.
Essa oposição aos católicos e tudo que eles representavam também é marca forte dos protestantes brasileiros.
A partir desses processos a pluralização do campo religioso a partir da presença protestante no Brasil com suas características muito peculiares e as conseqüências da expansão de uma religião intima de cada pessoa para o fortalecimento da noção de indivíduo e a secularização que se alimenta também deste processo, são fatores importantes na democratização da sociedade.
Definir o protestantismo brasileiro é uma tarefa árdua, nota-se claramente a presença dos protestantes, ou melhor, evangélicos, pentecostais e neo pentecostais na sociedade brasileira. A falta de unidade e de característica comuns também dificulta ainda mais esse ponto. Diferente dos católicos que possuem uma instituição central única e um comando único, com aspetos comuns que vão até as liturgias, os protestantes brasileiros vão se caracterizar pelo apelo conversionista, o denominacionalismo e a condição minoritária.
A discussão sobre a modernidade e o protestantismo não era tema da reforma mas a idéia de que o indivíduo tinha a liberdade para se relacionar com o divino, ler e interpretar a bíblia sem a necessidade de uma autoridade eclesiástica, talvez fosse a semente para que o individualismo germinasse.
Esse individualismo do protestantismo seria a forma de contraponto ao catolicismo, e caminharia junto com as idéias dos missionários estrangeiros envoltos numa cultura expansionista do liberalismo. Nem tudo era mal como, por exemplo, o fortalecimento da noção de individuo na sociedade brasileira.
Apesar de que, nas novas formas de protestantismo brasileiro, a ênfase numa conversão individual esta cada vez menor em termos de exigências, pois a cada dia estas instituições se parecem mais com as religiões afro-brasileiras, num verdadeiro mercado de bênçãos onde o participante oferece algo em troca dos serviços religiosos que lhe serão prestados, ainda assim os aspectos individualizantes estão bem presentes.
Esse processo de conversão e rompimento com a antiga - católica - religião geralmente contribui para a secularização e não para uma vida ainda mais religiosa. Em estudos recentes é admirável que os sem religião em mais de 28% dos casos venham de igrejas evangélicas, talvez o fato de terem rompido com o catolicismo, participado de outra igreja e rompido com esta também torna a essa pessoa impossível se identificar como católico não praticante. Nesta sociedade cada vez mais secularizada, na maior parte das vezes crendo em Deus, as pessoas conseguem estruturar a sua espiritualidade fora das formalidades da religião.
O denominacionalismo divide os protestantes no Brasil e causa espanto, pois temos um paradoxo incrível, o elemento que nos unifica é o fato comum do contínuo divisionismo. Esse fenômeno incomoda tanto os religiosos quanto os ateus, alias, incomoda o senso comum saber que, por exemplo, no Rio de Janeiro nasce uma igreja nova por dia. Episódio esperado pois em nosso gene esta o livre exame das escrituras, liberdade de interpretação bíblica, não estamos mais atrelados a ritos ou a uma sede em Roma.
Há ainda uma outra “classe” de protestante os denominacionalmente transplantados tais como Batistas, Presbiterianos, Metodista, Menonitas, etc. esses ainda não conseguiram se aculturar mantendo os modelos culturais norte americanos.
Somos minoritários, os protestantes, e estivemos na contramão dos fatos históricos no Brasil, o medo da guerra fria, a cortina de ferro, o perigo comunista, as igrejas presbiterianas, por exemplo, caçaram comunistas dentro das próprias paredes em igrejas e seminários com notícias de entrega dos próprios membros a repressão.
Essa oposição aos católicos e tudo que eles representavam também é marca forte dos protestantes brasileiros.
A partir desses processos a pluralização do campo religioso a partir da presença protestante no Brasil com suas características muito peculiares e as conseqüências da expansão de uma religião intima de cada pessoa para o fortalecimento da noção de indivíduo e a secularização que se alimenta também deste processo, são fatores importantes na democratização da sociedade.
sábado, 3 de julho de 2010
A larva e a Borboleta.
O protestantismo brasileiro analisado de como chegou ao Brasil e no que se transformou é muito semelhante às transformações entre “A Larva e a Borboleta”, quando se olha isoladamente, nem parece que são da mesma fonte.
Quando eu era criança, de 70 até meados da década de 80 do século passado, eu e meus irmãos éramos os únicos “protestantes” da escola, tínhamos uma espécie de linha a seguir, os católicos nos viam como estranhos, e na verdade era bem diferente ser protestante, nossa forma de lazer, nossas festas, nossas músicas, na igreja: os hinos, a liturgia, a pregação da palavra, os instrumentos musicais - me lembro bem quando as guitarras e baterias chegaram aos cultos, um alvoroço total – a Eucaristia, o templo, etc.
O termo protestante e o que ele significava com seus valores teológicos e humanistas, que modificaram a forma de perceber a realidade e sedimentaram o caminho da Modernidade se perderam, misturaram com outros valores e até retornaram à práticas anteriores, hoje em dia. Aliás, este termo só significa, atualmente, cristãos não-romano-católicos.
Entre os estudiosos, a manifestação religiosa protestante no Brasil pode ser separada em Protestantismo de Migração, Protestantismo Missão e os Movimentos Pentecostais, há também movimentos mais recentes a partir da metade do século passado, que são parte do processo de expansão dos Pentecostalismos.
O processo de chegada do protestantismo ao Brasil, as formas de religiosidade que surgiram, a dificuldade de adaptação a cultura tropical, e tantos pontos positivos e negativos que ainda continuam em voga, serão levantados apenas de forma resumida.
O primeiro templo protestante no Brasil foi construído em 1821, quando D.João VI instalou uma política de cooperação com a Inglaterra e aos funcionários ingleses foi dada a permissão para praticarem sua religião. O protestantismo de imigração era a religião que vinha com os imigrantes europeus, que vinham ao Brasil fruto de um incentivo do Império para suprir a mão-de-obra com o fim do modelo escravista – Lei Áurea 1888 – além de garantir a hegemonia branca, ou como se dizia na época “o aprimoramento da raça”. Essas colônias se mantiveram praticamente isoladas, alemães no sul do país, e se mantiveram culturalmente resistentes mantendo elementos da Reforma Luterana.
Mais tarde, no século XX, com a urbanização à influência cultural aumentou e enfraqueceu o protestantismo.
O liberalismo dos países do norte trouxe desafios a todas as áreas da sociedade brasileira, a pregação da salvação pessoal, que era secundário no conteúdo teológico da reforma, tomou força e legitimou o individualismo característico do liberalismo.
O protestantismo de missão, dada a sociedade feudal brasileira, surge como um movimento de ruptura e transformação social fazendo um discurso ao mesmo tempo anti-romano-católico e com premissas do pensamento liberal de sociedade. Essa mudança de católicos em protestantes criava um novo modelo de cidadão no Brasil, moderno, burguês, liberal, autônomo por si e pelo desenvolvimento da sociedade. A incapacidade de inculturação, marcado pelo descrédito a todo que fosse da cultura latina, em especial da brasileira.
O movimento pentecostal avançou com força no Brasil movido pela, talvez, única saída aos sofrimentos da população, esse movimento em processo contínuo de adaptação e transformação nacionalizou definitivamente, o que sobrou do protestantismo em contraste com a cultura brasileira.
O que chegou com os missionários não era propriamente o protestantismo, era muito mais uma cultura religiosa do país de origem, não recebemos a proposta de Calvino e Lutero de igreja. O povo que era “evangelizado” só tinha uma forma de ser cristão e não tinha nada e nem podia oferecer, o Espírito só falava na língua do estrangeiro.
O Deus não oferece o estabelecimento de intermediários mas, concede a todos condições de participação na construção da vida com suas características e cultura.
Para que a borboleta viva é necessário que a larva se transforme por completo.
Quando eu era criança, de 70 até meados da década de 80 do século passado, eu e meus irmãos éramos os únicos “protestantes” da escola, tínhamos uma espécie de linha a seguir, os católicos nos viam como estranhos, e na verdade era bem diferente ser protestante, nossa forma de lazer, nossas festas, nossas músicas, na igreja: os hinos, a liturgia, a pregação da palavra, os instrumentos musicais - me lembro bem quando as guitarras e baterias chegaram aos cultos, um alvoroço total – a Eucaristia, o templo, etc.
O termo protestante e o que ele significava com seus valores teológicos e humanistas, que modificaram a forma de perceber a realidade e sedimentaram o caminho da Modernidade se perderam, misturaram com outros valores e até retornaram à práticas anteriores, hoje em dia. Aliás, este termo só significa, atualmente, cristãos não-romano-católicos.
Entre os estudiosos, a manifestação religiosa protestante no Brasil pode ser separada em Protestantismo de Migração, Protestantismo Missão e os Movimentos Pentecostais, há também movimentos mais recentes a partir da metade do século passado, que são parte do processo de expansão dos Pentecostalismos.
O processo de chegada do protestantismo ao Brasil, as formas de religiosidade que surgiram, a dificuldade de adaptação a cultura tropical, e tantos pontos positivos e negativos que ainda continuam em voga, serão levantados apenas de forma resumida.
O primeiro templo protestante no Brasil foi construído em 1821, quando D.João VI instalou uma política de cooperação com a Inglaterra e aos funcionários ingleses foi dada a permissão para praticarem sua religião. O protestantismo de imigração era a religião que vinha com os imigrantes europeus, que vinham ao Brasil fruto de um incentivo do Império para suprir a mão-de-obra com o fim do modelo escravista – Lei Áurea 1888 – além de garantir a hegemonia branca, ou como se dizia na época “o aprimoramento da raça”. Essas colônias se mantiveram praticamente isoladas, alemães no sul do país, e se mantiveram culturalmente resistentes mantendo elementos da Reforma Luterana.
Mais tarde, no século XX, com a urbanização à influência cultural aumentou e enfraqueceu o protestantismo.
O liberalismo dos países do norte trouxe desafios a todas as áreas da sociedade brasileira, a pregação da salvação pessoal, que era secundário no conteúdo teológico da reforma, tomou força e legitimou o individualismo característico do liberalismo.
O protestantismo de missão, dada a sociedade feudal brasileira, surge como um movimento de ruptura e transformação social fazendo um discurso ao mesmo tempo anti-romano-católico e com premissas do pensamento liberal de sociedade. Essa mudança de católicos em protestantes criava um novo modelo de cidadão no Brasil, moderno, burguês, liberal, autônomo por si e pelo desenvolvimento da sociedade. A incapacidade de inculturação, marcado pelo descrédito a todo que fosse da cultura latina, em especial da brasileira.
O movimento pentecostal avançou com força no Brasil movido pela, talvez, única saída aos sofrimentos da população, esse movimento em processo contínuo de adaptação e transformação nacionalizou definitivamente, o que sobrou do protestantismo em contraste com a cultura brasileira.
O que chegou com os missionários não era propriamente o protestantismo, era muito mais uma cultura religiosa do país de origem, não recebemos a proposta de Calvino e Lutero de igreja. O povo que era “evangelizado” só tinha uma forma de ser cristão e não tinha nada e nem podia oferecer, o Espírito só falava na língua do estrangeiro.
O Deus não oferece o estabelecimento de intermediários mas, concede a todos condições de participação na construção da vida com suas características e cultura.
Para que a borboleta viva é necessário que a larva se transforme por completo.
O que é Ciência?
Que é Ciência.
A ciência e o processo de aquisição de conhecimento são processos humanos, porém não semelhantes, cada um tem características e peculiaridades próprias e não devem ser confundidos.
O conhecimento caminha em processos de abertura e cristalização, pela teologia, pelas artes, pela ideologia, que pode estar em todas as outras áreas do conhecimento, pela filosofia e pelo conhecimento científico.
O conhecimento científico nasce, desde muito tempo, quando o homem começou a ter a percepção que o conhecimento mais preciso e estruturado o ajudaria. Um conhecimento específico, sistematizado e organizado é fundamental para a elaboração de campos específicos do conhecimento. A história é marcada por eras científicas da matemática dos egípcios passando pela Grécia Clássica, até a Ciência Moderna, que realmente entendida como ciência.
A ciência sob justificativa de aprofundamentos e especificidades se divide e subdivide, se especializa e esse processo parece não ter fim. Alem de ser um conhecimento aberto a reformulação, com objetivo de controlar natureza de forma prática, descrever e compreender o mundo e a possibilidade de predição.
No século XX a ciência passa a sofrer um processo de perda de confiança, as limitações dos métodos e os problemas sociais do meio do século são as condições que se colocam para a perda do interesse na ciência da forma como vinha sendo produzida. A análise sobre a ciência e os fatores que influenciam seus caminhos vai culminar em Michael Foucault que diz que a ciência é um produto do desenvolvimento histórico e social dos processos de produção de conhecimento sendo mais um elemento da realidade a ser descrito.
Quando tratamos com a possibilidade de conciliação entre a religião e a ciência, talvez, esteja na forma como cada uma delas aborda a realidade. A religião entende que há duas realidades coexistentes a natural e a sobrenatural e que a interação entre elas pode melhorar a vida das pessoas, mas este é outro assunto.
A ciência procura explicar a natureza valendo-se apenas do que é possível observar e experimentar e através dessas provas, poder descrever o mundo da forma mais completa possível.
A partir desse pressuposto a convivência entre as áreas do conhecimento humano com a ciência moderna, é muito importante. A forma mais plausível, na opinião de cientistas e, talvez no senso comum, é a busca por entendimento entre as partes e a interdependência para esclarecimento de que a ciência sozinha não é capaz de suprir as necessidades humanas, nem as outras áreas do conhecimento se ficarem isoladas, cada qual tem sua função e aplicação.
A ciência e o processo de aquisição de conhecimento são processos humanos, porém não semelhantes, cada um tem características e peculiaridades próprias e não devem ser confundidos.
O conhecimento caminha em processos de abertura e cristalização, pela teologia, pelas artes, pela ideologia, que pode estar em todas as outras áreas do conhecimento, pela filosofia e pelo conhecimento científico.
O conhecimento científico nasce, desde muito tempo, quando o homem começou a ter a percepção que o conhecimento mais preciso e estruturado o ajudaria. Um conhecimento específico, sistematizado e organizado é fundamental para a elaboração de campos específicos do conhecimento. A história é marcada por eras científicas da matemática dos egípcios passando pela Grécia Clássica, até a Ciência Moderna, que realmente entendida como ciência.
A ciência sob justificativa de aprofundamentos e especificidades se divide e subdivide, se especializa e esse processo parece não ter fim. Alem de ser um conhecimento aberto a reformulação, com objetivo de controlar natureza de forma prática, descrever e compreender o mundo e a possibilidade de predição.
No século XX a ciência passa a sofrer um processo de perda de confiança, as limitações dos métodos e os problemas sociais do meio do século são as condições que se colocam para a perda do interesse na ciência da forma como vinha sendo produzida. A análise sobre a ciência e os fatores que influenciam seus caminhos vai culminar em Michael Foucault que diz que a ciência é um produto do desenvolvimento histórico e social dos processos de produção de conhecimento sendo mais um elemento da realidade a ser descrito.
Quando tratamos com a possibilidade de conciliação entre a religião e a ciência, talvez, esteja na forma como cada uma delas aborda a realidade. A religião entende que há duas realidades coexistentes a natural e a sobrenatural e que a interação entre elas pode melhorar a vida das pessoas, mas este é outro assunto.
A ciência procura explicar a natureza valendo-se apenas do que é possível observar e experimentar e através dessas provas, poder descrever o mundo da forma mais completa possível.
A partir desse pressuposto a convivência entre as áreas do conhecimento humano com a ciência moderna, é muito importante. A forma mais plausível, na opinião de cientistas e, talvez no senso comum, é a busca por entendimento entre as partes e a interdependência para esclarecimento de que a ciência sozinha não é capaz de suprir as necessidades humanas, nem as outras áreas do conhecimento se ficarem isoladas, cada qual tem sua função e aplicação.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Evangelho relevante - Uma breve crítica, ácida, sobre contextualização.
Qual a contextualização do evangelho na prática de minha igreja local.
Evangelho relevante! - Uma breve crítica, ácida, sobre contextualização.
Já foi mais forte o desprezo pela cultura brasileira e uma produção teológica regional, a visão de superioridade, principalmente, norte-americana da repetição da teologia até a tentativa de imitá-los culturalmente. Em uma igreja de forte tradição presbiteriana, amenizada pela independência no início do século passado, com a separação da igreja Presbiteriana Independente da Igreja Presbiteriana, o fato é que ainda existem dois pesos e duas medidas. A prática local é que se “eles” não forem melhores, com certeza, piores não são. As práticas, normas, administração da igreja e até dos lares, neste ambiente, o que vem do outro hemisfério é superior.
Existe muita gente que trabalhou e está trabalhando para modificar essa forma opressora e descontextualizada, quando era garoto me lembro de uma tentativa de contextualização, repudiada pelos mais tradicionais, um cancioneiro que além das músicas tradicionais dos antigos hinários, tal como “Salmos e Hinos”, incluía canções e músicas brasileiras, não deu certo, as igrejas não aceitaram “era muito folclórico e parecia muito com música popular brasileira”, por outro lado nos apegamos as traduções de cânticos importados das mesmas fontes.
Estamos longe do povo brasileiro somos um barquinho sem efeitos na sociedade, sem relevância, sem influência a não ser para os habitantes remanescentes desta nau destinada ao naufrágio, e o pior ainda há muitos que defendem uma teologia legitimamente “presbiteriana”, como se isso fosse possível!
A necessidade de construir uma igreja significativa, contextualizada e com identidade própria é tarefa difícil. O equilíbrio entre não relativismo cultural, ou seja, falta de definições de um Evangelho transformador e procurar uma contextualização estão longe de passar por aqui, a falta de diálogo com outros pontos de vista teológicos, por exemplo: teologia negra, feminista, indígena, hispânica, teologia da libertação, etc., e a intolerância a diferentes idéias são formas de impedir uma contextualização significativa.
Nossa dificuldade ainda está em perceber que nosso papel é em valorizar a vida e o bem, promover ações saudáveis na sociedade em todas as áreas do conhecimento, denunciar a injustiça, espalhar o evangelho de Cristo, dentro e junto com nosso povo, encarar e revelar o mal e suas perversidades.
Evangelho relevante! - Uma breve crítica, ácida, sobre contextualização.
Já foi mais forte o desprezo pela cultura brasileira e uma produção teológica regional, a visão de superioridade, principalmente, norte-americana da repetição da teologia até a tentativa de imitá-los culturalmente. Em uma igreja de forte tradição presbiteriana, amenizada pela independência no início do século passado, com a separação da igreja Presbiteriana Independente da Igreja Presbiteriana, o fato é que ainda existem dois pesos e duas medidas. A prática local é que se “eles” não forem melhores, com certeza, piores não são. As práticas, normas, administração da igreja e até dos lares, neste ambiente, o que vem do outro hemisfério é superior.
Existe muita gente que trabalhou e está trabalhando para modificar essa forma opressora e descontextualizada, quando era garoto me lembro de uma tentativa de contextualização, repudiada pelos mais tradicionais, um cancioneiro que além das músicas tradicionais dos antigos hinários, tal como “Salmos e Hinos”, incluía canções e músicas brasileiras, não deu certo, as igrejas não aceitaram “era muito folclórico e parecia muito com música popular brasileira”, por outro lado nos apegamos as traduções de cânticos importados das mesmas fontes.
Estamos longe do povo brasileiro somos um barquinho sem efeitos na sociedade, sem relevância, sem influência a não ser para os habitantes remanescentes desta nau destinada ao naufrágio, e o pior ainda há muitos que defendem uma teologia legitimamente “presbiteriana”, como se isso fosse possível!
A necessidade de construir uma igreja significativa, contextualizada e com identidade própria é tarefa difícil. O equilíbrio entre não relativismo cultural, ou seja, falta de definições de um Evangelho transformador e procurar uma contextualização estão longe de passar por aqui, a falta de diálogo com outros pontos de vista teológicos, por exemplo: teologia negra, feminista, indígena, hispânica, teologia da libertação, etc., e a intolerância a diferentes idéias são formas de impedir uma contextualização significativa.
Nossa dificuldade ainda está em perceber que nosso papel é em valorizar a vida e o bem, promover ações saudáveis na sociedade em todas as áreas do conhecimento, denunciar a injustiça, espalhar o evangelho de Cristo, dentro e junto com nosso povo, encarar e revelar o mal e suas perversidades.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Religião e Cultura
Religião e Cultura.
A missão Cristã é uma prática submersa dentro da cultura onde é produzida, ou seja, não há como desvincular o missionário da cultura com a qual ele foi educado. Os conflitos de idéias entre Evangelho e Cultura são presentes na história desde a época de Jesus, com sua pregação inovadora sobre Deus dentro da cultura judaica, passou por Paulo nas suas viagens à culturas romano-gentílicas e ocasionou o surgimento dos primeiros lideres das igrejas como teólogos com a preocupação de tornar a mensagem do evangelho significativa à cultura onde estava sendo pregada, e assim por diante, a tensão está presente por toda a história da igreja até hoje e deve continuar.
Na relação entre Evangelho e Cultura na missiologia (estudo de missões), para os católicos; inculturação, para os protestantes; contextualização, existem algumas diferenças dramáticas: a cultura aplica-se a um povo específico em momento histórico, cada povo tem a sua, já o Evangelho transcende essas limitações, a cultura é a distinção entre povos, o Evangelho se concretiza dentro das culturas, com por exemplo Jesus encarnado dentro da cultura judaica.
Essa dimensão do Evangelho ao mesmo tempo transcendental e contextual o torna uma realidade transcendental encarnada em uma cultura na qual é anunciado. O caráter paradoxal é da própria natureza do evangelho, conflitivo, o choque entre santidade e pecado, o Reino de Deus e o império das trevas.
O Evangelho não existe sem um meio pelo qual ele possa ser propagado, a igreja, e a expansão missionária que desembarcou no Brasil se deu através das igrejas cristãs européias e norte-americanas na mesma época do colonialismo. A cultura colonialista misturada com o evangelho protestante gerou no Brasil uma projeção da coletânea de idéias políticas, científicas, econômicas e sociais nas igrejas brasileiras, num descompasso social tupiniquim cada vez mais grave.
O descompasso consistia em um processo de conversão que culminava com o rompimento quase violento da pessoa com seu meio social, com a prática de novos padrões de conduta opostos àqueles em que havia sido criado, ao ponto de ser capaz não só do rompimento cultural, mas de desqualificar os laços familiares mais íntimos.
A questão que surge é: como a igreja que se formou no Brasil a partir dessa história de rompimento cultural, ou seja, não contextualizada, pode realizar um trabalho missionário contextualizado?
As evidencias da forte influência norte-americana ainda persistem principalmente nas igrejas fruto das missões do século XIX, o anti-catolicismo e a não valorização dos elementos da própria cultura brasileira. O Evangelho no Brasil passa por um período de grande turbulência, exageros, adequações e inadequações numa luta por achar um modo brasileiro de continuar propagando o evangelho.
As reações contrárias, às mudanças que urgem as igrejas, serão uma das marcas que a própria cristandade tem como herança de Jesus Cristo, por um lado a cultura que modifica os anseios sociais e por outro um evangelho.
Boas Novas que se renovem e se mostrem relevantes, significativas para nosso povo, contextualizadas e transcendentes. Esse é o desafio para as igrejas e principalmente missões brasileiras, para que a imposição cultural não seja a marca Brasileira de “exportação” missionária.
A missão Cristã é uma prática submersa dentro da cultura onde é produzida, ou seja, não há como desvincular o missionário da cultura com a qual ele foi educado. Os conflitos de idéias entre Evangelho e Cultura são presentes na história desde a época de Jesus, com sua pregação inovadora sobre Deus dentro da cultura judaica, passou por Paulo nas suas viagens à culturas romano-gentílicas e ocasionou o surgimento dos primeiros lideres das igrejas como teólogos com a preocupação de tornar a mensagem do evangelho significativa à cultura onde estava sendo pregada, e assim por diante, a tensão está presente por toda a história da igreja até hoje e deve continuar.
Na relação entre Evangelho e Cultura na missiologia (estudo de missões), para os católicos; inculturação, para os protestantes; contextualização, existem algumas diferenças dramáticas: a cultura aplica-se a um povo específico em momento histórico, cada povo tem a sua, já o Evangelho transcende essas limitações, a cultura é a distinção entre povos, o Evangelho se concretiza dentro das culturas, com por exemplo Jesus encarnado dentro da cultura judaica.
Essa dimensão do Evangelho ao mesmo tempo transcendental e contextual o torna uma realidade transcendental encarnada em uma cultura na qual é anunciado. O caráter paradoxal é da própria natureza do evangelho, conflitivo, o choque entre santidade e pecado, o Reino de Deus e o império das trevas.
O Evangelho não existe sem um meio pelo qual ele possa ser propagado, a igreja, e a expansão missionária que desembarcou no Brasil se deu através das igrejas cristãs européias e norte-americanas na mesma época do colonialismo. A cultura colonialista misturada com o evangelho protestante gerou no Brasil uma projeção da coletânea de idéias políticas, científicas, econômicas e sociais nas igrejas brasileiras, num descompasso social tupiniquim cada vez mais grave.
O descompasso consistia em um processo de conversão que culminava com o rompimento quase violento da pessoa com seu meio social, com a prática de novos padrões de conduta opostos àqueles em que havia sido criado, ao ponto de ser capaz não só do rompimento cultural, mas de desqualificar os laços familiares mais íntimos.
A questão que surge é: como a igreja que se formou no Brasil a partir dessa história de rompimento cultural, ou seja, não contextualizada, pode realizar um trabalho missionário contextualizado?
As evidencias da forte influência norte-americana ainda persistem principalmente nas igrejas fruto das missões do século XIX, o anti-catolicismo e a não valorização dos elementos da própria cultura brasileira. O Evangelho no Brasil passa por um período de grande turbulência, exageros, adequações e inadequações numa luta por achar um modo brasileiro de continuar propagando o evangelho.
As reações contrárias, às mudanças que urgem as igrejas, serão uma das marcas que a própria cristandade tem como herança de Jesus Cristo, por um lado a cultura que modifica os anseios sociais e por outro um evangelho.
Boas Novas que se renovem e se mostrem relevantes, significativas para nosso povo, contextualizadas e transcendentes. Esse é o desafio para as igrejas e principalmente missões brasileiras, para que a imposição cultural não seja a marca Brasileira de “exportação” missionária.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
A oração que move a mão de Deus! Que HORROR! Essa frase não passa nem perto do Cristão.
A oração que move a mão de Deus! Que HORROR! Essa frase não passa (ou não deveria passar) nem perto do Cristão.
Todos os dias, ouvimos expressões escalafobéticas como sendo Cristãs, mas esta, em especial, eu gostaria de me deter um pouco, pensar o que significa, suas implicações e talvez até da onde veio ou como essa idéia chegou até nós.
Vamos fazer uma viagem no tempo e lembrar lá na época de Abraão, ou Jacó, ou mesmo dos reis de Israel e os profetas, como as pessoas buscavam a Deus?
Veja que as práticas de sacrifícios, queima de incensos, orações não eram só do povo de Israel todos os povos pensavam da mesmíssima maneira: “faço um sacrifício e movo Deus da sua inércia”.
Inércia!
Nós cremos num Deus inerte? Onde eu preciso enviar uma força direcional, chamada fé, na direção de Deus e se por sorte acertá-lo Ele pode responder de alguma forma, que pode ser das mais variadas possíveis, e cabe a mim, interpretar esta resposta, pois Ele, paradão, lá no céu não quis se mover até que nós o cutucássemos?
A idéia deuteronômica de bênção que só vem depois que “eu” faço alguma coisa para agradar a divindade, não é exclusiva do povo de Israel é comum a todos os povos!
Os deuses são sempre inertes e só reagem a “bons” sacrifícios, ou pior ainda, se você não se sacrificar e fizer o que “eles” querem, pode esperar, o pior está por vir.
“A oração move a mão de Deus”, é tão pagã quanto os cultos: egípcios de 3000 a.C., gregos desde a era dos filósofos, romanos, persas, etc.
Podemos notar uma semelhança incrível na funcionalidade religiosa, eu preciso, de alguma forma, me sacrificar para obter favor de Deus, essa é a base da idéia da criação de hierarquia religiosa, onde quem sabe “operar” melhor os meios para mover Deus se destaca em relação aos outros!
Então os pastores, missionários, evangelistas, “apóstolos”, que acessam melhor Deus têm que ter destaque em relação a patuléia!
Afinal, essa patuléia não jejua 40 dias, não ora sem parar por 32 horas, não é missionário, não está na obra do senhor, não faz nenhum sacrifício! Como eles vão “merecer” ouvir, receber, entender, curar, fazer o que Deus quer?
Essa forma de pensar é totalmente “DETONADA” na pessoa de Jesus, a paternidade de Deus, a bondade, o amor – já pensou se precisassem ser “movidas”.
O evangelho é...
Ah, o evangelho... é a quebra desse sistema, Jesus abriu contato direto ao Pai, os sacerdotes agora são todos, e o melhor sem cerimônias, a nossa esperança não está em “porcariada”, que movidos por nossa ganância e apelos dos nossos desejos, vão exigir – celular, carro, dinheiro, emprego, sucesso, namorada, marido, lugar para morar, ouvir a voz de Deus - incluisve tem um livro que se propõe a ensianr os passos para ouvir a voz de Deus, etc.
Em Mateus capítulos 5, 6 e 7 ou se você preferir o sermão do monte, nas palavras de Jesus, Ele vem modificando a antiga lógica de bênção e maldição para um nível excelentíssimo onde o que importa é a intimidade com Deus, o Deus presente, os valores do céu.
A forma de buscar a Deus mudou nas palavras de Jesus:
• No velho testamento:
Amar a Deus + Seguí-lo + Não Desviar = Bênção (Deuterônomio 30:1-10);
• No Novo Testamento:
Amar a Deus + Seguí-lo + Não Desviar = Ser Amado (João 14:15-31);
Parece que o significado da busca a Deus é ser intimo, participar com eles de comunhão, de coisas em comum com a trindade, da vida.
Ser cristão é viver com nobreza, com dignidade, amor ao próximo e mesmo que estejamos passando o maior perrengue, ainda assim, não vamos desesperar, não vamos nos destruir, não vamos ferir quem esta ao nosso lado, vamos continuar vivendo atravessando as dificuldades sem infantilizações religiosas.
Continua...
Todos os dias, ouvimos expressões escalafobéticas como sendo Cristãs, mas esta, em especial, eu gostaria de me deter um pouco, pensar o que significa, suas implicações e talvez até da onde veio ou como essa idéia chegou até nós.
Vamos fazer uma viagem no tempo e lembrar lá na época de Abraão, ou Jacó, ou mesmo dos reis de Israel e os profetas, como as pessoas buscavam a Deus?
Veja que as práticas de sacrifícios, queima de incensos, orações não eram só do povo de Israel todos os povos pensavam da mesmíssima maneira: “faço um sacrifício e movo Deus da sua inércia”.
Inércia!
Nós cremos num Deus inerte? Onde eu preciso enviar uma força direcional, chamada fé, na direção de Deus e se por sorte acertá-lo Ele pode responder de alguma forma, que pode ser das mais variadas possíveis, e cabe a mim, interpretar esta resposta, pois Ele, paradão, lá no céu não quis se mover até que nós o cutucássemos?
A idéia deuteronômica de bênção que só vem depois que “eu” faço alguma coisa para agradar a divindade, não é exclusiva do povo de Israel é comum a todos os povos!
Os deuses são sempre inertes e só reagem a “bons” sacrifícios, ou pior ainda, se você não se sacrificar e fizer o que “eles” querem, pode esperar, o pior está por vir.
“A oração move a mão de Deus”, é tão pagã quanto os cultos: egípcios de 3000 a.C., gregos desde a era dos filósofos, romanos, persas, etc.
Podemos notar uma semelhança incrível na funcionalidade religiosa, eu preciso, de alguma forma, me sacrificar para obter favor de Deus, essa é a base da idéia da criação de hierarquia religiosa, onde quem sabe “operar” melhor os meios para mover Deus se destaca em relação aos outros!
Então os pastores, missionários, evangelistas, “apóstolos”, que acessam melhor Deus têm que ter destaque em relação a patuléia!
Afinal, essa patuléia não jejua 40 dias, não ora sem parar por 32 horas, não é missionário, não está na obra do senhor, não faz nenhum sacrifício! Como eles vão “merecer” ouvir, receber, entender, curar, fazer o que Deus quer?
Essa forma de pensar é totalmente “DETONADA” na pessoa de Jesus, a paternidade de Deus, a bondade, o amor – já pensou se precisassem ser “movidas”.
O evangelho é...
Ah, o evangelho... é a quebra desse sistema, Jesus abriu contato direto ao Pai, os sacerdotes agora são todos, e o melhor sem cerimônias, a nossa esperança não está em “porcariada”, que movidos por nossa ganância e apelos dos nossos desejos, vão exigir – celular, carro, dinheiro, emprego, sucesso, namorada, marido, lugar para morar, ouvir a voz de Deus - incluisve tem um livro que se propõe a ensianr os passos para ouvir a voz de Deus, etc.
Em Mateus capítulos 5, 6 e 7 ou se você preferir o sermão do monte, nas palavras de Jesus, Ele vem modificando a antiga lógica de bênção e maldição para um nível excelentíssimo onde o que importa é a intimidade com Deus, o Deus presente, os valores do céu.
A forma de buscar a Deus mudou nas palavras de Jesus:
• No velho testamento:
Amar a Deus + Seguí-lo + Não Desviar = Bênção (Deuterônomio 30:1-10);
• No Novo Testamento:
Amar a Deus + Seguí-lo + Não Desviar = Ser Amado (João 14:15-31);
Parece que o significado da busca a Deus é ser intimo, participar com eles de comunhão, de coisas em comum com a trindade, da vida.
Ser cristão é viver com nobreza, com dignidade, amor ao próximo e mesmo que estejamos passando o maior perrengue, ainda assim, não vamos desesperar, não vamos nos destruir, não vamos ferir quem esta ao nosso lado, vamos continuar vivendo atravessando as dificuldades sem infantilizações religiosas.
Continua...
terça-feira, 18 de maio de 2010
Religião, Saúde e Ciência
A relação entre crença (ou religião), ciência e saúde é naturalmente tensa.
Atualmente é bastante plausível uma investigação de que uma crença ou atividades espirituais e participação em comunidade (igrejas, e outros tipos de ajuntamentos religiosos) ajudam as pessoas a viver melhor, no que diz respeito a saúde.
A busca pela religiosidade, especialmente as orientais, tem aumentado muito. O cristianismo neste aspecto perdeu muito do interesse das pessoas, talvez, pela banalização e comercialização dos milagres. Os vários acontecimentos naturais (terremotos, tempestades, catástrofes) e outros provocados por ações humanas como terrorismo ou ainda elementos menos traumáticos como a música, a beleza da natureza e as relações de camaradagem na família entre amigos vão nos conduzir a refletir sobre o significado e valores da vida, num binômio de fé e sentido.
A neuroteologia, que é a base biológica para a espiritualidade, tenta explicar através do estudo dos genes uma disposição religiosa, como uma descarga de elementos químicos cerebrais, este assunto bastante controverso trás correntes de pensamento que defendem a ciência e outros que procuram a convivência pacífica, religião e ciência.
A dificuldade de conciliação entre a religião e a ciência, talvez, esteja na forma como cada uma delas aborda a realidade. A religião entende que há duas realidades coexistentes a natural e a sobrenatural e que a interação entre elas pode melhorar a vida das pessoas, já a ciência procura explicar a natureza valendo-se apenas do que é possível observar e experimentar e através dessas provas, poder descrever o mundo da forma mais completa possível.
A partir desse pressuposto a convivência entre as duas áreas da vida, religião e ciência, é quase impossível pela radicalidade de ambas as partes. A forma mais plausível, na opinião de ciêntistas e religiosos, de entendimento entre as partes seria o esclarecimento de que a ciência sozinha não é capaz de suprir as necessidades humanas, nem a religião, cada qual tem sua função e aplicação.
A saúde e a religião é um tema bastante difícil, pois os cientistas da área médica, e os religiosos vão afirmar que sim, a religião melhora o bem estar dos pacientes e outros vão afirmar que não, as evidencias e pesquisas nesta área são ainda embrionárias e dependem essencialmente da experiência de vida de cada um, já os cuidados a pessoa com a saúde debilitada não é, atualmente, apenas um caso somente médico ou somente religioso mas leva-se em consideração o todo e a interação entre assuntos aparentemente ambíguos, todos os fatores humanos são muito importantes no cuidado com a saúde.
Caminhamos, de certa forma, para um período novo na relação entre religião e ciência, as temperaturas das discussões tendem a ser mais amenas, na teoria e na prática. A saúde e os fatores humanos, inclusive a religião e as crenças, seguem em busca de um entendimento e boa convivência. A ciência, a saúde e a religião são importantes aspectos da nossa humanidade cada uma no seu papel, considerando-se que esses conhecimentos estão em constante desenvolvimento, é necessário um constante diálogo, com respeito e a tolerância para que, juntos, esses conhecimentos melhorem o modo de vida das pessoas.
Atualmente é bastante plausível uma investigação de que uma crença ou atividades espirituais e participação em comunidade (igrejas, e outros tipos de ajuntamentos religiosos) ajudam as pessoas a viver melhor, no que diz respeito a saúde.
A busca pela religiosidade, especialmente as orientais, tem aumentado muito. O cristianismo neste aspecto perdeu muito do interesse das pessoas, talvez, pela banalização e comercialização dos milagres. Os vários acontecimentos naturais (terremotos, tempestades, catástrofes) e outros provocados por ações humanas como terrorismo ou ainda elementos menos traumáticos como a música, a beleza da natureza e as relações de camaradagem na família entre amigos vão nos conduzir a refletir sobre o significado e valores da vida, num binômio de fé e sentido.
A neuroteologia, que é a base biológica para a espiritualidade, tenta explicar através do estudo dos genes uma disposição religiosa, como uma descarga de elementos químicos cerebrais, este assunto bastante controverso trás correntes de pensamento que defendem a ciência e outros que procuram a convivência pacífica, religião e ciência.
A dificuldade de conciliação entre a religião e a ciência, talvez, esteja na forma como cada uma delas aborda a realidade. A religião entende que há duas realidades coexistentes a natural e a sobrenatural e que a interação entre elas pode melhorar a vida das pessoas, já a ciência procura explicar a natureza valendo-se apenas do que é possível observar e experimentar e através dessas provas, poder descrever o mundo da forma mais completa possível.
A partir desse pressuposto a convivência entre as duas áreas da vida, religião e ciência, é quase impossível pela radicalidade de ambas as partes. A forma mais plausível, na opinião de ciêntistas e religiosos, de entendimento entre as partes seria o esclarecimento de que a ciência sozinha não é capaz de suprir as necessidades humanas, nem a religião, cada qual tem sua função e aplicação.
A saúde e a religião é um tema bastante difícil, pois os cientistas da área médica, e os religiosos vão afirmar que sim, a religião melhora o bem estar dos pacientes e outros vão afirmar que não, as evidencias e pesquisas nesta área são ainda embrionárias e dependem essencialmente da experiência de vida de cada um, já os cuidados a pessoa com a saúde debilitada não é, atualmente, apenas um caso somente médico ou somente religioso mas leva-se em consideração o todo e a interação entre assuntos aparentemente ambíguos, todos os fatores humanos são muito importantes no cuidado com a saúde.
Caminhamos, de certa forma, para um período novo na relação entre religião e ciência, as temperaturas das discussões tendem a ser mais amenas, na teoria e na prática. A saúde e os fatores humanos, inclusive a religião e as crenças, seguem em busca de um entendimento e boa convivência. A ciência, a saúde e a religião são importantes aspectos da nossa humanidade cada uma no seu papel, considerando-se que esses conhecimentos estão em constante desenvolvimento, é necessário um constante diálogo, com respeito e a tolerância para que, juntos, esses conhecimentos melhorem o modo de vida das pessoas.
terça-feira, 4 de maio de 2010
Espiritualidade Contemporânea Cristã.
Espiritualidade Contemporânea Cristã.
A espiritualidade é assunto em todos os universos atualmente. Está muito presente, especialmente no Brasil, a busca por sentido através do sagrado. A falta de repostas pelo racionalismo deu espaço ao desenvolvimento de novas espiritualidades "que a própria razão desconhece".
Apesar desta busca pelo sagrado um abismo se formou entre a prática e a teoria desta mesma espiritualidade.
A busca de um sentido através da espiritualidade que possa suprir os anseios de homens e mulheres com a consciência de que somos parte de um todo e que isso exige uma abertura a novas relações, novas experiências, exige relacionamentos.
As trocas, a tolerância, os momentos juntos, as expressões religiosas, e o compartilhar transformados num ato de desenvolvimento da nossa humanidade numa postura mais nobre, sensível, flexível que acrescenta à vida ordinária uma densidade espiritual, através de cristo, que seja capaz de alimentar, saciar nossa sede e fome na vida de modo a sermos coerentes... a caminho da maturidade cristã.
A espiritualidade é assunto em todos os universos atualmente. Está muito presente, especialmente no Brasil, a busca por sentido através do sagrado. A falta de repostas pelo racionalismo deu espaço ao desenvolvimento de novas espiritualidades "que a própria razão desconhece".
Apesar desta busca pelo sagrado um abismo se formou entre a prática e a teoria desta mesma espiritualidade.
A busca de um sentido através da espiritualidade que possa suprir os anseios de homens e mulheres com a consciência de que somos parte de um todo e que isso exige uma abertura a novas relações, novas experiências, exige relacionamentos.
As trocas, a tolerância, os momentos juntos, as expressões religiosas, e o compartilhar transformados num ato de desenvolvimento da nossa humanidade numa postura mais nobre, sensível, flexível que acrescenta à vida ordinária uma densidade espiritual, através de cristo, que seja capaz de alimentar, saciar nossa sede e fome na vida de modo a sermos coerentes... a caminho da maturidade cristã.
terça-feira, 27 de abril de 2010
Teologia Ecológica - Você já ouviu falar?
A percepção de que o foco principal dos textos bíblicos está nos pobres cria um ambiente favorável ao avanço da hermenêutica em várias áreas, gostaria de destacar neste muito breve comentário a hermenêutica ecológica.
A hermenêutica (interpretação de texto) ecológica, a partir dos textos bíblicos, parte do pressuposto que o Antigo e Novo Testamento, estão intencionalmente colocados de forma a deixar claro suas idéias doutrinais centrais: Antigo Testamento trata a crença num único Deus (monoteísmo), o Novo Testamento vai expor Jesus como o redentor prometido.
Outro argumento é que a relação que o leitor do texto bíblico tem com a realidade e o contexto vai, claramente, aparecer na sua interpretação.
A hermenêutica ecológica é a inserção do ser humano dentro de um “todo”, ou na interdependência de todos os fenômenos físicos, biológicos, sociais e culturais. A compreensão de que o ser humano é parte e não o centro do universo.
Dentro deste modelo de pensamento ecológico a terra é a casa de todos os seres vivos, dos seres humanos e de Deus (também) e cada um tem suas responsabilidades de preservação, as pessoas com uma parcela a mais. A sabedoria e a espiritualidade, geradas pela vivência religiosa, ampliam a percepção das relações entre seres humanos e criação com Deus.
A hermenêutica ecológica tem vários desafios a começar pelos textos de Gênesis até uma análise crítica dos desdobramentos político-econômicos da vida do povo Israelita do Antigo Testamento. O Novo Testamento é ainda mais desafiador para o desenvolvimento dessa hermenêutica.
Tratar de "ecologia" hoje é parte de uma série de movimentos causados pela nossa realidade, muito propício e contextualizado.
A complexidade e os motivos geradores de se interpretar o texto bíblico dessa forma vai muito além de um estudo mono-disciplinar, apenas com a humildade e reconhecimento de que o todo é muito grande, e que dependemos de outras disciplinas para ter uma mínima compreensão desse universo que estamos inseridos, talvez seja, o primeiro passo para o entendimento do que é hermenêutica ecológica.
O desafio é transformar essa interpretação dos textos numa percepção, principalmente na igreja, de que cada um tem, sim, a sua responsabilidade.
Ainda mais, quando nos depararmos com teologias apocalípticas de que isso é parte de um plano divino para o fim, sem nos aperceber que existem outras formas genuinamente cristãs de se entender esses mesmos textos.
A começar pela teologia apocalíptica, passando pela compreensão de salvação e fé a hermenêutica ecológica tem um longo caminho a percorrer, aliás nos nossos próprios corações.
A hermenêutica (interpretação de texto) ecológica, a partir dos textos bíblicos, parte do pressuposto que o Antigo e Novo Testamento, estão intencionalmente colocados de forma a deixar claro suas idéias doutrinais centrais: Antigo Testamento trata a crença num único Deus (monoteísmo), o Novo Testamento vai expor Jesus como o redentor prometido.
Outro argumento é que a relação que o leitor do texto bíblico tem com a realidade e o contexto vai, claramente, aparecer na sua interpretação.
A hermenêutica ecológica é a inserção do ser humano dentro de um “todo”, ou na interdependência de todos os fenômenos físicos, biológicos, sociais e culturais. A compreensão de que o ser humano é parte e não o centro do universo.
Dentro deste modelo de pensamento ecológico a terra é a casa de todos os seres vivos, dos seres humanos e de Deus (também) e cada um tem suas responsabilidades de preservação, as pessoas com uma parcela a mais. A sabedoria e a espiritualidade, geradas pela vivência religiosa, ampliam a percepção das relações entre seres humanos e criação com Deus.
A hermenêutica ecológica tem vários desafios a começar pelos textos de Gênesis até uma análise crítica dos desdobramentos político-econômicos da vida do povo Israelita do Antigo Testamento. O Novo Testamento é ainda mais desafiador para o desenvolvimento dessa hermenêutica.
Tratar de "ecologia" hoje é parte de uma série de movimentos causados pela nossa realidade, muito propício e contextualizado.
A complexidade e os motivos geradores de se interpretar o texto bíblico dessa forma vai muito além de um estudo mono-disciplinar, apenas com a humildade e reconhecimento de que o todo é muito grande, e que dependemos de outras disciplinas para ter uma mínima compreensão desse universo que estamos inseridos, talvez seja, o primeiro passo para o entendimento do que é hermenêutica ecológica.
O desafio é transformar essa interpretação dos textos numa percepção, principalmente na igreja, de que cada um tem, sim, a sua responsabilidade.
Ainda mais, quando nos depararmos com teologias apocalípticas de que isso é parte de um plano divino para o fim, sem nos aperceber que existem outras formas genuinamente cristãs de se entender esses mesmos textos.
A começar pela teologia apocalíptica, passando pela compreensão de salvação e fé a hermenêutica ecológica tem um longo caminho a percorrer, aliás nos nossos próprios corações.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Mulheres e a Teologia que vale HOJE
A igreja desde o início não soube como lidar com a questão feminina no entender dos textos bíblicos. O valor que a comunidade e a realidade atribuíam às idéias teológicas das mulheres e sua atuação demorou quase dois mil anos para aparecer. Mesmo a reforma protestante não foi forte para romper com os modelos antigos.
É claramente notado que a relação: interpretação bíblica e as mulheres sempre foram tensas, mesmo porque, nos textos bíblicos, as mulheres e seus corpos não têm um relacionamento amistoso.
A realidade no Brasil em conjunto com a comunidade não aceita mais uma interpretação que discrimina, subjuga, tira a dignidade das mulheres, apesar de existir muito. A presença das mulheres na teologia e na hermenêutica faz valer opiniões que a muito devíamos ter escutado, e a possibilidade de justiça aos pensamentos tanto de mulheres quanto de homens, leva-nos a participar de inspiração, espiritualidade mais nobre, viva, encarnada e profunda do cristianismo. Agora em posição de igualdade entre todas as pessoas.
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