Protestantismo Tupiniquim, Modernidade e Democracia
Definir o protestantismo brasileiro é uma tarefa árdua, nota-se claramente a presença dos protestantes, ou melhor, evangélicos, pentecostais e neo pentecostais na sociedade brasileira. A falta de unidade e de característica comuns também dificulta ainda mais esse ponto. Diferente dos católicos que possuem uma instituição central única e um comando único, com aspetos comuns que vão até as liturgias, os protestantes brasileiros vão se caracterizar pelo apelo conversionista, o denominacionalismo e a condição minoritária.
A discussão sobre a modernidade e o protestantismo não era tema da reforma mas a idéia de que o indivíduo tinha a liberdade para se relacionar com o divino, ler e interpretar a bíblia sem a necessidade de uma autoridade eclesiástica, talvez fosse a semente para que o individualismo germinasse.
Esse individualismo do protestantismo seria a forma de contraponto ao catolicismo, e caminharia junto com as idéias dos missionários estrangeiros envoltos numa cultura expansionista do liberalismo. Nem tudo era mal como, por exemplo, o fortalecimento da noção de individuo na sociedade brasileira.
Apesar de que, nas novas formas de protestantismo brasileiro, a ênfase numa conversão individual esta cada vez menor em termos de exigências, pois a cada dia estas instituições se parecem mais com as religiões afro-brasileiras, num verdadeiro mercado de bênçãos onde o participante oferece algo em troca dos serviços religiosos que lhe serão prestados, ainda assim os aspectos individualizantes estão bem presentes.
Esse processo de conversão e rompimento com a antiga - católica - religião geralmente contribui para a secularização e não para uma vida ainda mais religiosa. Em estudos recentes é admirável que os sem religião em mais de 28% dos casos venham de igrejas evangélicas, talvez o fato de terem rompido com o catolicismo, participado de outra igreja e rompido com esta também torna a essa pessoa impossível se identificar como católico não praticante. Nesta sociedade cada vez mais secularizada, na maior parte das vezes crendo em Deus, as pessoas conseguem estruturar a sua espiritualidade fora das formalidades da religião.
O denominacionalismo divide os protestantes no Brasil e causa espanto, pois temos um paradoxo incrível, o elemento que nos unifica é o fato comum do contínuo divisionismo. Esse fenômeno incomoda tanto os religiosos quanto os ateus, alias, incomoda o senso comum saber que, por exemplo, no Rio de Janeiro nasce uma igreja nova por dia. Episódio esperado pois em nosso gene esta o livre exame das escrituras, liberdade de interpretação bíblica, não estamos mais atrelados a ritos ou a uma sede em Roma.
Há ainda uma outra “classe” de protestante os denominacionalmente transplantados tais como Batistas, Presbiterianos, Metodista, Menonitas, etc. esses ainda não conseguiram se aculturar mantendo os modelos culturais norte americanos.
Somos minoritários, os protestantes, e estivemos na contramão dos fatos históricos no Brasil, o medo da guerra fria, a cortina de ferro, o perigo comunista, as igrejas presbiterianas, por exemplo, caçaram comunistas dentro das próprias paredes em igrejas e seminários com notícias de entrega dos próprios membros a repressão.
Essa oposição aos católicos e tudo que eles representavam também é marca forte dos protestantes brasileiros.
A partir desses processos a pluralização do campo religioso a partir da presença protestante no Brasil com suas características muito peculiares e as conseqüências da expansão de uma religião intima de cada pessoa para o fortalecimento da noção de indivíduo e a secularização que se alimenta também deste processo, são fatores importantes na democratização da sociedade.
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