Ensaio sobre definição teológica e implicações práticas da relação entre a exclusividade de Cristo para a salvação e o diálogo inter-religioso.
Um ensaio sobre a definição teológica da exclusividade de Cristo para a salvação já é um tema bastante complexo, a tentativa de associar esse tema ao diálogo inter-religioso é tarefa para teólogos, o que pretendo estudar neste ensaio são idéias embrionárias, muitas vezes difíceis de entender, aliás, é um assunto que se demonstra um campo minado no meio das igrejas evangélicas uma vez que ninguém quer passear por esses campos.
O povo de Deus tem como vocação o estabelecimento de pontes de diálogo entre as pessoas e Deus, entre todas e cada uma das pessoas, entre os elementos da criação e as pessoas, ou seja, a reconciliação da criação com o criador.
Ao pensarmos na obra de Cristo do ponto de vista da reconciliação caminhamos para um agir de Deus de forma plena, abrangente, universal (pluriversal no sentido vanguardista dos cientistas que estudam o cosmos), sua ação foi completa, entender que esta obra se aplica somente aos assuntos religiosos perdemos muito da profundidade, nobreza e dimensão próprios de um Deus de amor.
Vamos mais longe nesse pensamento, ao aliar esse ponto de vista a uma aproximação, leitura integral da Bíblia, abandonando a visão dualista de interpretação temos não mais um campo minado, mas um vasto campo para explorar.
Cabe aqui um esclarecimento, o dualismo é uma doutrina religiosa que concebe o mundo na coexistência de dois poderes ou princípios, como trevas e luz (Pérsia); masculino e feminino (China); santo e profano (todas as religiões).
A exclusividade de Cristo é um tema que também é tratado pelo ponto de vista dualista a compreensão de ser ou não, estar ligado ao corpo ou estar fora dele, e tudo isso pela confissão verbal a partir de interpretações literais de textos bíblicos que possuem estilos literários próprios e de um povo muito distante no tempo e na cultura, talvez, isso faça entender que essa exclusividade deva ser aplicada dualisticamente.
Perdendo, portanto, a face integral da ação de Jesus Cristo na vida, ministério, cruz e ressurreição.
A expressão contrária a famosa frase “fora da igreja não há salvação”, ou outras conhecidas como “a bíblia é a fonte da salvação” pela “só em Cristo há salvação”.
A noção de que alguém tem ser reconhecido como cristandade (pela oração do pecador ou batismo ou ainda confissão pública) e pela cristandade (ser aceito numa comunidade pelo exame de um conselho de presbiteros - no sentido de mais velhos na fé) para ser cristão, torna o "ser cristão" um modo de viver como antes de Cristo por meio de leis, dogmas e uma opressão.
Opressão da qual Cristo veio nos livrar, aliás, essa idéia cria e fortalece as hierarquias, classes, que se acham os donos e protetores da santa igreja.
A ética colocada em prática por nós ocidentais, que dividimos a sociedade em classes, não significa, nem de longe, estar ou conter algo presunçosamente certa, ou “bíblica”.
O estilo de vida proposto por Cristo é somente a vida, reconciliada com Deus e isso é completo e universal na ação de Cristo.
Devemos então entender sob uma óptica as ações das comunidades de ajuntamentos (igrejas) e suas ações evangelizadoras e missionárias, ações que são práticas e dentro da cultura, deixar de lado o estilo imposto – classe média, consumista, capitalista, literalista bíblico, individualista, moralista e dualista – e caminhar rumo a espiritualidade que ama e reconcilia.
O estilo de Cristo não conquista como nas guerras, mas reconcilia e liberta, não gera pensamentos iguais, mas cria a possibilidade de unidade, sem estratégias, mas com relacionamentos, sem guerras, mas criando a paz, suave, harmônica e cósmica.
Neste espírito é possível um diálogo inter-religioso, então a igreja não se sentirá ameaçada nem na sua identidade, nem na sua fidelidade a Palavra de Deus.
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