sábado, 3 de julho de 2010

A larva e a Borboleta.

O protestantismo brasileiro analisado de como chegou ao Brasil e no que se transformou é muito semelhante às transformações entre “A Larva e a Borboleta”, quando se olha isoladamente, nem parece que são da mesma fonte.

Quando eu era criança, de 70 até meados da década de 80 do século passado, eu e meus irmãos éramos os únicos “protestantes” da escola, tínhamos uma espécie de linha a seguir, os católicos nos viam como estranhos, e na verdade era bem diferente ser protestante, nossa forma de lazer, nossas festas, nossas músicas, na igreja: os hinos, a liturgia, a pregação da palavra, os instrumentos musicais - me lembro bem quando as guitarras e baterias chegaram aos cultos, um alvoroço total – a Eucaristia, o templo, etc.

O termo protestante e o que ele significava com seus valores teológicos e humanistas, que modificaram a forma de perceber a realidade e sedimentaram o caminho da Modernidade se perderam, misturaram com outros valores e até retornaram à práticas anteriores, hoje em dia. Aliás, este termo só significa, atualmente, cristãos não-romano-católicos.

Entre os estudiosos, a manifestação religiosa protestante no Brasil pode ser separada em Protestantismo de Migração, Protestantismo Missão e os Movimentos Pentecostais, há também movimentos mais recentes a partir da metade do século passado, que são parte do processo de expansão dos Pentecostalismos.

O processo de chegada do protestantismo ao Brasil, as formas de religiosidade que surgiram, a dificuldade de adaptação a cultura tropical, e tantos pontos positivos e negativos que ainda continuam em voga, serão levantados apenas de forma resumida.

O primeiro templo protestante no Brasil foi construído em 1821, quando D.João VI instalou uma política de cooperação com a Inglaterra e aos funcionários ingleses foi dada a permissão para praticarem sua religião. O protestantismo de imigração era a religião que vinha com os imigrantes europeus, que vinham ao Brasil fruto de um incentivo do Império para suprir a mão-de-obra com o fim do modelo escravista – Lei Áurea 1888 – além de garantir a hegemonia branca, ou como se dizia na época “o aprimoramento da raça”. Essas colônias se mantiveram praticamente isoladas, alemães no sul do país, e se mantiveram culturalmente resistentes mantendo elementos da Reforma Luterana.

Mais tarde, no século XX, com a urbanização à influência cultural aumentou e enfraqueceu o protestantismo.

O liberalismo dos países do norte trouxe desafios a todas as áreas da sociedade brasileira, a pregação da salvação pessoal, que era secundário no conteúdo teológico da reforma, tomou força e legitimou o individualismo característico do liberalismo.

O protestantismo de missão, dada a sociedade feudal brasileira, surge como um movimento de ruptura e transformação social fazendo um discurso ao mesmo tempo anti-romano-católico e com premissas do pensamento liberal de sociedade. Essa mudança de católicos em protestantes criava um novo modelo de cidadão no Brasil, moderno, burguês, liberal, autônomo por si e pelo desenvolvimento da sociedade. A incapacidade de inculturação, marcado pelo descrédito a todo que fosse da cultura latina, em especial da brasileira.

O movimento pentecostal avançou com força no Brasil movido pela, talvez, única saída aos sofrimentos da população, esse movimento em processo contínuo de adaptação e transformação nacionalizou definitivamente, o que sobrou do protestantismo em contraste com a cultura brasileira.

O que chegou com os missionários não era propriamente o protestantismo, era muito mais uma cultura religiosa do país de origem, não recebemos a proposta de Calvino e Lutero de igreja. O povo que era “evangelizado” só tinha uma forma de ser cristão e não tinha nada e nem podia oferecer, o Espírito só falava na língua do estrangeiro.

O Deus não oferece o estabelecimento de intermediários mas, concede a todos condições de participação na construção da vida com suas características e cultura.

Para que a borboleta viva é necessário que a larva se transforme por completo.

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