sexta-feira, 11 de junho de 2010

Evangelho relevante - Uma breve crítica, ácida, sobre contextualização.

Qual a contextualização do evangelho na prática de minha igreja local.

Evangelho relevante! - Uma breve crítica, ácida, sobre contextualização.

Já foi mais forte o desprezo pela cultura brasileira e uma produção teológica regional, a visão de superioridade, principalmente, norte-americana da repetição da teologia até a tentativa de imitá-los culturalmente. Em uma igreja de forte tradição presbiteriana, amenizada pela independência no início do século passado, com a separação da igreja Presbiteriana Independente da Igreja Presbiteriana, o fato é que ainda existem dois pesos e duas medidas. A prática local é que se “eles” não forem melhores, com certeza, piores não são. As práticas, normas, administração da igreja e até dos lares, neste ambiente, o que vem do outro hemisfério é superior.

Existe muita gente que trabalhou e está trabalhando para modificar essa forma opressora e descontextualizada, quando era garoto me lembro de uma tentativa de contextualização, repudiada pelos mais tradicionais, um cancioneiro que além das músicas tradicionais dos antigos hinários, tal como “Salmos e Hinos”, incluía canções e músicas brasileiras, não deu certo, as igrejas não aceitaram “era muito folclórico e parecia muito com música popular brasileira”, por outro lado nos apegamos as traduções de cânticos importados das mesmas fontes.

Estamos longe do povo brasileiro somos um barquinho sem efeitos na sociedade, sem relevância, sem influência a não ser para os habitantes remanescentes desta nau destinada ao naufrágio, e o pior ainda há muitos que defendem uma teologia legitimamente “presbiteriana”, como se isso fosse possível!

A necessidade de construir uma igreja significativa, contextualizada e com identidade própria é tarefa difícil. O equilíbrio entre não relativismo cultural, ou seja, falta de definições de um Evangelho transformador e procurar uma contextualização estão longe de passar por aqui, a falta de diálogo com outros pontos de vista teológicos, por exemplo: teologia negra, feminista, indígena, hispânica, teologia da libertação, etc., e a intolerância a diferentes idéias são formas de impedir uma contextualização significativa.

Nossa dificuldade ainda está em perceber que nosso papel é em valorizar a vida e o bem, promover ações saudáveis na sociedade em todas as áreas do conhecimento, denunciar a injustiça, espalhar o evangelho de Cristo, dentro e junto com nosso povo, encarar e revelar o mal e suas perversidades.

3 comentários:

Unknown disse...

Adorei a idéia de contruir uma identidade. Mas também acho que esta é uma das partes mais difíceis... Até pq para construir identidade - isto em psicologia de pessoas... mas acho que dá para, levianamente, aplicar para suas idéias (rs) - Para construir identidades é preciso primeiro se afastar dos modelos.
Assim: primeiro a gente se apóia nos modelos (copia, imita, usa como parâmetro etc) depois, com o amadurecimento, a gente se afasta deles (questiona, percebe as fragilidades, fica ressentido etc) como se fosse uma crise de adolescência!
Aí, afastado, a gente pode construiur algo mais próprio, mais pessoal: a própria identidade!!!
Me parece que é este caminho que o seu questionamento aponta - ou revela!
Beijo.
Adlorei sua escrita. Parabéns.

Unknown disse...

Cara, concordo contigo, mas acredito que sua crítica está atrasada. A igreja tradicional, americanizada e moralista já está em fase terminal por aqui.

Tempos atrás, eu acreditava mesmo que nossa igreja era sem identidade e irrelevante. Sendo uma cópia tosca de um modelo decadente que já foi a falência lá pras bandas de cima.

Mas tenho visto muita gente se movimentando de maneira diferente. Inclusive em um evento, promovido pela IPI, percebi que a galera quer mesmo uma identidade própria.
Não só em busca de uma identidade, mas de uma missão comum a qualquer identidade, amar.

Gente de saco cheio, gente que para de se "converter" a uma ideia idiota, de 30 anos atrás.

As igrejas não estão abandonando isso, por isso as igrejas estão sendo abandonadas.

Esse modelo já está falindo por aqui também. Um tanto de gente perdendo o emprego, outro tanto sendo chamado de desviado. Pois é, não dou mais 10 anos de vida pra essa igreja.

Quem quiser ver o futuro de nossas igrejas(tradicionais) é só dar um pulinho na Europa. Tudo vazio por lá.
Graças!

Agora, o que seriam os "Shows da Fé" que não param de crescer?!

Jota Videira disse...

Grande garoto! Tu conheces a història de James Wright? Beijos