sábado, 10 de julho de 2010

Protestantismo Tupiniquim, Modernidade e Democracia

Protestantismo Tupiniquim, Modernidade e Democracia

Definir o protestantismo brasileiro é uma tarefa árdua, nota-se claramente a presença dos protestantes, ou melhor, evangélicos, pentecostais e neo pentecostais na sociedade brasileira. A falta de unidade e de característica comuns também dificulta ainda mais esse ponto. Diferente dos católicos que possuem uma instituição central única e um comando único, com aspetos comuns que vão até as liturgias, os protestantes brasileiros vão se caracterizar pelo apelo conversionista, o denominacionalismo e a condição minoritária.

A discussão sobre a modernidade e o protestantismo não era tema da reforma mas a idéia de que o indivíduo tinha a liberdade para se relacionar com o divino, ler e interpretar a bíblia sem a necessidade de uma autoridade eclesiástica, talvez fosse a semente para que o individualismo germinasse.

Esse individualismo do protestantismo seria a forma de contraponto ao catolicismo, e caminharia junto com as idéias dos missionários estrangeiros envoltos numa cultura expansionista do liberalismo. Nem tudo era mal como, por exemplo, o fortalecimento da noção de individuo na sociedade brasileira.

Apesar de que, nas novas formas de protestantismo brasileiro, a ênfase numa conversão individual esta cada vez menor em termos de exigências, pois a cada dia estas instituições se parecem mais com as religiões afro-brasileiras, num verdadeiro mercado de bênçãos onde o participante oferece algo em troca dos serviços religiosos que lhe serão prestados, ainda assim os aspectos individualizantes estão bem presentes.

Esse processo de conversão e rompimento com a antiga - católica - religião geralmente contribui para a secularização e não para uma vida ainda mais religiosa. Em estudos recentes é admirável que os sem religião em mais de 28% dos casos venham de igrejas evangélicas, talvez o fato de terem rompido com o catolicismo, participado de outra igreja e rompido com esta também torna a essa pessoa impossível se identificar como católico não praticante. Nesta sociedade cada vez mais secularizada, na maior parte das vezes crendo em Deus, as pessoas conseguem estruturar a sua espiritualidade fora das formalidades da religião.

O denominacionalismo divide os protestantes no Brasil e causa espanto, pois temos um paradoxo incrível, o elemento que nos unifica é o fato comum do contínuo divisionismo. Esse fenômeno incomoda tanto os religiosos quanto os ateus, alias, incomoda o senso comum saber que, por exemplo, no Rio de Janeiro nasce uma igreja nova por dia. Episódio esperado pois em nosso gene esta o livre exame das escrituras, liberdade de interpretação bíblica, não estamos mais atrelados a ritos ou a uma sede em Roma.

Há ainda uma outra “classe” de protestante os denominacionalmente transplantados tais como Batistas, Presbiterianos, Metodista, Menonitas, etc. esses ainda não conseguiram se aculturar mantendo os modelos culturais norte americanos.

Somos minoritários, os protestantes, e estivemos na contramão dos fatos históricos no Brasil, o medo da guerra fria, a cortina de ferro, o perigo comunista, as igrejas presbiterianas, por exemplo, caçaram comunistas dentro das próprias paredes em igrejas e seminários com notícias de entrega dos próprios membros a repressão.

Essa oposição aos católicos e tudo que eles representavam também é marca forte dos protestantes brasileiros.

A partir desses processos a pluralização do campo religioso a partir da presença protestante no Brasil com suas características muito peculiares e as conseqüências da expansão de uma religião intima de cada pessoa para o fortalecimento da noção de indivíduo e a secularização que se alimenta também deste processo, são fatores importantes na democratização da sociedade.

sábado, 3 de julho de 2010

A larva e a Borboleta.

O protestantismo brasileiro analisado de como chegou ao Brasil e no que se transformou é muito semelhante às transformações entre “A Larva e a Borboleta”, quando se olha isoladamente, nem parece que são da mesma fonte.

Quando eu era criança, de 70 até meados da década de 80 do século passado, eu e meus irmãos éramos os únicos “protestantes” da escola, tínhamos uma espécie de linha a seguir, os católicos nos viam como estranhos, e na verdade era bem diferente ser protestante, nossa forma de lazer, nossas festas, nossas músicas, na igreja: os hinos, a liturgia, a pregação da palavra, os instrumentos musicais - me lembro bem quando as guitarras e baterias chegaram aos cultos, um alvoroço total – a Eucaristia, o templo, etc.

O termo protestante e o que ele significava com seus valores teológicos e humanistas, que modificaram a forma de perceber a realidade e sedimentaram o caminho da Modernidade se perderam, misturaram com outros valores e até retornaram à práticas anteriores, hoje em dia. Aliás, este termo só significa, atualmente, cristãos não-romano-católicos.

Entre os estudiosos, a manifestação religiosa protestante no Brasil pode ser separada em Protestantismo de Migração, Protestantismo Missão e os Movimentos Pentecostais, há também movimentos mais recentes a partir da metade do século passado, que são parte do processo de expansão dos Pentecostalismos.

O processo de chegada do protestantismo ao Brasil, as formas de religiosidade que surgiram, a dificuldade de adaptação a cultura tropical, e tantos pontos positivos e negativos que ainda continuam em voga, serão levantados apenas de forma resumida.

O primeiro templo protestante no Brasil foi construído em 1821, quando D.João VI instalou uma política de cooperação com a Inglaterra e aos funcionários ingleses foi dada a permissão para praticarem sua religião. O protestantismo de imigração era a religião que vinha com os imigrantes europeus, que vinham ao Brasil fruto de um incentivo do Império para suprir a mão-de-obra com o fim do modelo escravista – Lei Áurea 1888 – além de garantir a hegemonia branca, ou como se dizia na época “o aprimoramento da raça”. Essas colônias se mantiveram praticamente isoladas, alemães no sul do país, e se mantiveram culturalmente resistentes mantendo elementos da Reforma Luterana.

Mais tarde, no século XX, com a urbanização à influência cultural aumentou e enfraqueceu o protestantismo.

O liberalismo dos países do norte trouxe desafios a todas as áreas da sociedade brasileira, a pregação da salvação pessoal, que era secundário no conteúdo teológico da reforma, tomou força e legitimou o individualismo característico do liberalismo.

O protestantismo de missão, dada a sociedade feudal brasileira, surge como um movimento de ruptura e transformação social fazendo um discurso ao mesmo tempo anti-romano-católico e com premissas do pensamento liberal de sociedade. Essa mudança de católicos em protestantes criava um novo modelo de cidadão no Brasil, moderno, burguês, liberal, autônomo por si e pelo desenvolvimento da sociedade. A incapacidade de inculturação, marcado pelo descrédito a todo que fosse da cultura latina, em especial da brasileira.

O movimento pentecostal avançou com força no Brasil movido pela, talvez, única saída aos sofrimentos da população, esse movimento em processo contínuo de adaptação e transformação nacionalizou definitivamente, o que sobrou do protestantismo em contraste com a cultura brasileira.

O que chegou com os missionários não era propriamente o protestantismo, era muito mais uma cultura religiosa do país de origem, não recebemos a proposta de Calvino e Lutero de igreja. O povo que era “evangelizado” só tinha uma forma de ser cristão e não tinha nada e nem podia oferecer, o Espírito só falava na língua do estrangeiro.

O Deus não oferece o estabelecimento de intermediários mas, concede a todos condições de participação na construção da vida com suas características e cultura.

Para que a borboleta viva é necessário que a larva se transforme por completo.

O que é Ciência?

Que é Ciência.

A ciência e o processo de aquisição de conhecimento são processos humanos, porém não semelhantes, cada um tem características e peculiaridades próprias e não devem ser confundidos.

O conhecimento caminha em processos de abertura e cristalização, pela teologia, pelas artes, pela ideologia, que pode estar em todas as outras áreas do conhecimento, pela filosofia e pelo conhecimento científico.

O conhecimento científico nasce, desde muito tempo, quando o homem começou a ter a percepção que o conhecimento mais preciso e estruturado o ajudaria. Um conhecimento específico, sistematizado e organizado é fundamental para a elaboração de campos específicos do conhecimento. A história é marcada por eras científicas da matemática dos egípcios passando pela Grécia Clássica, até a Ciência Moderna, que realmente entendida como ciência.

A ciência sob justificativa de aprofundamentos e especificidades se divide e subdivide, se especializa e esse processo parece não ter fim. Alem de ser um conhecimento aberto a reformulação, com objetivo de controlar natureza de forma prática, descrever e compreender o mundo e a possibilidade de predição.

No século XX a ciência passa a sofrer um processo de perda de confiança, as limitações dos métodos e os problemas sociais do meio do século são as condições que se colocam para a perda do interesse na ciência da forma como vinha sendo produzida. A análise sobre a ciência e os fatores que influenciam seus caminhos vai culminar em Michael Foucault que diz que a ciência é um produto do desenvolvimento histórico e social dos processos de produção de conhecimento sendo mais um elemento da realidade a ser descrito.

Quando tratamos com a possibilidade de conciliação entre a religião e a ciência, talvez, esteja na forma como cada uma delas aborda a realidade. A religião entende que há duas realidades coexistentes a natural e a sobrenatural e que a interação entre elas pode melhorar a vida das pessoas, mas este é outro assunto.
A ciência procura explicar a natureza valendo-se apenas do que é possível observar e experimentar e através dessas provas, poder descrever o mundo da forma mais completa possível.

A partir desse pressuposto a convivência entre as áreas do conhecimento humano com a ciência moderna, é muito importante. A forma mais plausível, na opinião de cientistas e, talvez no senso comum, é a busca por entendimento entre as partes e a interdependência para esclarecimento de que a ciência sozinha não é capaz de suprir as necessidades humanas, nem as outras áreas do conhecimento se ficarem isoladas, cada qual tem sua função e aplicação.