Qual a contextualização do evangelho na prática de minha igreja local.
Evangelho relevante! - Uma breve crítica, ácida, sobre contextualização.
Já foi mais forte o desprezo pela cultura brasileira e uma produção teológica regional, a visão de superioridade, principalmente, norte-americana da repetição da teologia até a tentativa de imitá-los culturalmente. Em uma igreja de forte tradição presbiteriana, amenizada pela independência no início do século passado, com a separação da igreja Presbiteriana Independente da Igreja Presbiteriana, o fato é que ainda existem dois pesos e duas medidas. A prática local é que se “eles” não forem melhores, com certeza, piores não são. As práticas, normas, administração da igreja e até dos lares, neste ambiente, o que vem do outro hemisfério é superior.
Existe muita gente que trabalhou e está trabalhando para modificar essa forma opressora e descontextualizada, quando era garoto me lembro de uma tentativa de contextualização, repudiada pelos mais tradicionais, um cancioneiro que além das músicas tradicionais dos antigos hinários, tal como “Salmos e Hinos”, incluía canções e músicas brasileiras, não deu certo, as igrejas não aceitaram “era muito folclórico e parecia muito com música popular brasileira”, por outro lado nos apegamos as traduções de cânticos importados das mesmas fontes.
Estamos longe do povo brasileiro somos um barquinho sem efeitos na sociedade, sem relevância, sem influência a não ser para os habitantes remanescentes desta nau destinada ao naufrágio, e o pior ainda há muitos que defendem uma teologia legitimamente “presbiteriana”, como se isso fosse possível!
A necessidade de construir uma igreja significativa, contextualizada e com identidade própria é tarefa difícil. O equilíbrio entre não relativismo cultural, ou seja, falta de definições de um Evangelho transformador e procurar uma contextualização estão longe de passar por aqui, a falta de diálogo com outros pontos de vista teológicos, por exemplo: teologia negra, feminista, indígena, hispânica, teologia da libertação, etc., e a intolerância a diferentes idéias são formas de impedir uma contextualização significativa.
Nossa dificuldade ainda está em perceber que nosso papel é em valorizar a vida e o bem, promover ações saudáveis na sociedade em todas as áreas do conhecimento, denunciar a injustiça, espalhar o evangelho de Cristo, dentro e junto com nosso povo, encarar e revelar o mal e suas perversidades.
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sexta-feira, 11 de junho de 2010
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Religião e Cultura
Religião e Cultura.
A missão Cristã é uma prática submersa dentro da cultura onde é produzida, ou seja, não há como desvincular o missionário da cultura com a qual ele foi educado. Os conflitos de idéias entre Evangelho e Cultura são presentes na história desde a época de Jesus, com sua pregação inovadora sobre Deus dentro da cultura judaica, passou por Paulo nas suas viagens à culturas romano-gentílicas e ocasionou o surgimento dos primeiros lideres das igrejas como teólogos com a preocupação de tornar a mensagem do evangelho significativa à cultura onde estava sendo pregada, e assim por diante, a tensão está presente por toda a história da igreja até hoje e deve continuar.
Na relação entre Evangelho e Cultura na missiologia (estudo de missões), para os católicos; inculturação, para os protestantes; contextualização, existem algumas diferenças dramáticas: a cultura aplica-se a um povo específico em momento histórico, cada povo tem a sua, já o Evangelho transcende essas limitações, a cultura é a distinção entre povos, o Evangelho se concretiza dentro das culturas, com por exemplo Jesus encarnado dentro da cultura judaica.
Essa dimensão do Evangelho ao mesmo tempo transcendental e contextual o torna uma realidade transcendental encarnada em uma cultura na qual é anunciado. O caráter paradoxal é da própria natureza do evangelho, conflitivo, o choque entre santidade e pecado, o Reino de Deus e o império das trevas.
O Evangelho não existe sem um meio pelo qual ele possa ser propagado, a igreja, e a expansão missionária que desembarcou no Brasil se deu através das igrejas cristãs européias e norte-americanas na mesma época do colonialismo. A cultura colonialista misturada com o evangelho protestante gerou no Brasil uma projeção da coletânea de idéias políticas, científicas, econômicas e sociais nas igrejas brasileiras, num descompasso social tupiniquim cada vez mais grave.
O descompasso consistia em um processo de conversão que culminava com o rompimento quase violento da pessoa com seu meio social, com a prática de novos padrões de conduta opostos àqueles em que havia sido criado, ao ponto de ser capaz não só do rompimento cultural, mas de desqualificar os laços familiares mais íntimos.
A questão que surge é: como a igreja que se formou no Brasil a partir dessa história de rompimento cultural, ou seja, não contextualizada, pode realizar um trabalho missionário contextualizado?
As evidencias da forte influência norte-americana ainda persistem principalmente nas igrejas fruto das missões do século XIX, o anti-catolicismo e a não valorização dos elementos da própria cultura brasileira. O Evangelho no Brasil passa por um período de grande turbulência, exageros, adequações e inadequações numa luta por achar um modo brasileiro de continuar propagando o evangelho.
As reações contrárias, às mudanças que urgem as igrejas, serão uma das marcas que a própria cristandade tem como herança de Jesus Cristo, por um lado a cultura que modifica os anseios sociais e por outro um evangelho.
Boas Novas que se renovem e se mostrem relevantes, significativas para nosso povo, contextualizadas e transcendentes. Esse é o desafio para as igrejas e principalmente missões brasileiras, para que a imposição cultural não seja a marca Brasileira de “exportação” missionária.
A missão Cristã é uma prática submersa dentro da cultura onde é produzida, ou seja, não há como desvincular o missionário da cultura com a qual ele foi educado. Os conflitos de idéias entre Evangelho e Cultura são presentes na história desde a época de Jesus, com sua pregação inovadora sobre Deus dentro da cultura judaica, passou por Paulo nas suas viagens à culturas romano-gentílicas e ocasionou o surgimento dos primeiros lideres das igrejas como teólogos com a preocupação de tornar a mensagem do evangelho significativa à cultura onde estava sendo pregada, e assim por diante, a tensão está presente por toda a história da igreja até hoje e deve continuar.
Na relação entre Evangelho e Cultura na missiologia (estudo de missões), para os católicos; inculturação, para os protestantes; contextualização, existem algumas diferenças dramáticas: a cultura aplica-se a um povo específico em momento histórico, cada povo tem a sua, já o Evangelho transcende essas limitações, a cultura é a distinção entre povos, o Evangelho se concretiza dentro das culturas, com por exemplo Jesus encarnado dentro da cultura judaica.
Essa dimensão do Evangelho ao mesmo tempo transcendental e contextual o torna uma realidade transcendental encarnada em uma cultura na qual é anunciado. O caráter paradoxal é da própria natureza do evangelho, conflitivo, o choque entre santidade e pecado, o Reino de Deus e o império das trevas.
O Evangelho não existe sem um meio pelo qual ele possa ser propagado, a igreja, e a expansão missionária que desembarcou no Brasil se deu através das igrejas cristãs européias e norte-americanas na mesma época do colonialismo. A cultura colonialista misturada com o evangelho protestante gerou no Brasil uma projeção da coletânea de idéias políticas, científicas, econômicas e sociais nas igrejas brasileiras, num descompasso social tupiniquim cada vez mais grave.
O descompasso consistia em um processo de conversão que culminava com o rompimento quase violento da pessoa com seu meio social, com a prática de novos padrões de conduta opostos àqueles em que havia sido criado, ao ponto de ser capaz não só do rompimento cultural, mas de desqualificar os laços familiares mais íntimos.
A questão que surge é: como a igreja que se formou no Brasil a partir dessa história de rompimento cultural, ou seja, não contextualizada, pode realizar um trabalho missionário contextualizado?
As evidencias da forte influência norte-americana ainda persistem principalmente nas igrejas fruto das missões do século XIX, o anti-catolicismo e a não valorização dos elementos da própria cultura brasileira. O Evangelho no Brasil passa por um período de grande turbulência, exageros, adequações e inadequações numa luta por achar um modo brasileiro de continuar propagando o evangelho.
As reações contrárias, às mudanças que urgem as igrejas, serão uma das marcas que a própria cristandade tem como herança de Jesus Cristo, por um lado a cultura que modifica os anseios sociais e por outro um evangelho.
Boas Novas que se renovem e se mostrem relevantes, significativas para nosso povo, contextualizadas e transcendentes. Esse é o desafio para as igrejas e principalmente missões brasileiras, para que a imposição cultural não seja a marca Brasileira de “exportação” missionária.
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