terça-feira, 7 de outubro de 2008

O CAMINHO DA ORAÇÃO - Parte II

O que fazer com a mesmice de sempre quando se trata do assunto oração?
Veja que essa prática sempre me perturbou, principalmente quando se trata de orar em público. A ansiedade que me angustiava era, por exemplo, como um SER INFINITAMENTE BOM E AMOROSO não atenderia o clamor desesperado de uma mãe, por seu filho que esta num hospital perto da morte? Ou porque Ele não manda comida em abundância para o sofrido povo da Etiópia, ou das nossas esquinas?
Para eu pensar num Deus que diria: “Hum... deixe-me ver... faltou um pouquinho de fé... não vou curar...” ou se alguém orasse por chuva e Ele dissesse “só 987 pessoas orando, se eles tivessem mais umas 1000 pessoas suplicando ai eu poderia até pensar...”. Isso me parece muito incoerente com o Deus da bíblia, essa forma que nos é apresentada hoje sobre como mover a mão de Deus, no meu entender, não tem nada do que a bíblia em todo seu sentido quer nos revelar.
Orar para que Deus mude a cabeça do governante X,Y ou Z, libere o passaporte para que A,B e C possam ir para os EUA trabalhar e ajudar a família, ache uma vaga no estacionamento, segure um menino pronto a cair de um galho, faça com que o outro concorrente da compra da casa dos meus sonhos desista só porque eu orei, são práticas que eu não consigo entender.
Como para alguns poucos, injustos, soberbos, donos do dinheiro do mundo as bênçãos nunca falham? Para esses Deus é bom hoje, e como são “crentes” já esta tudo garantido no porvir, então não há limites, tudo é lícito e possível, porém para a grande e esmagadora maioria das pessoas a vida não é isso. Na realidade é feita de muito suor, sacrifício e fé.


Por isso que as orações para um Deus deliberativo são complicadas do ponto de vista do que realmente acontece. Veja o mecanismo:

Eu oro; Deus escuta e considera; E delibera;

Mas Ele delibera em favor de uns poucos? Delibera pela quantidade de fé? Ou pelo número de pessoas que orou? Ou de acordo com...(qualquer coisa que eu faça)?
Eu pergunto – Onde fica a graça?

Talvez as coisas aconteçam exatamente assim! E eu não posso afirmar que Deus possa ou não possa fazer as coisas assim, mesmo porque talvez você tenha muitos exemplos para me contar de casos que alguém orou e funcionou. Beleza! Se você tem as mesmas considerações que eu então vamos continuar pensando juntos, se não, a não ser por pura curiosidade, pare de ler esse artigo pois ele vai atrapalhar você, deixe meus pensamentos de lado, vá para seu quarto e ore por mim.

Continua...

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Informãções Sobre o Conteúdo Deste Blog

Gostaria primeiro de dizer que respeito os diversos pontos de vista sobre Deus. Essas idéias que nós temos, cada um a sua maneira, devem ser julgadas e colocadas em consideração as melhores idéias e as não tão boas, ou se você preferir, as que você acha mais confortáveis.

Eu gostaria de tratar neste Blog idéias que me fazem o mais coerente possível com a vida e tudo que a envolve, inclusive meu relacionamento com Deus, sem ingenuidades e tratando dos assuntos o mais profundo possível.

Alguns dos temas que quero tratar até o final de 2008:
  • Oração
  • Realidade X Idealismo (evangélico)
  • Transcendência X Realidade nua e crua
  • O Cristiansimo no decorrer da história
  • O literalismo Bíblico dos "Biblistas"
  • Tolerância X Radicalismo
  • A cosmovisão através dos tempos

Gostaria de dizer que quem promete prosperidade e riquezas, caso você o adore é o diabo:

O diabo o levou a um lugar alto e mostrou-lhe num relance todos os reinos do mundo. E lhe disse: "Eu te darei toda a autoridade sobre eles e todo o seu esplendor, porque me foram dados e posso dá-los a quem eu quiser. Então se me adorares, tudo será teu". Lucas 4:5,6 e 7. (NVI-8 Edição)

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Oração.

Oração.


Parte de nossa espiritualidade passa pela oração. O meu pensamento neste assunto será, não de forma exaustiva, qual é o papel da oração na nossa vida, qual o seu sentido, qual o significado e ainda qual o seu valor.



Você já parou para pensar o que Jesus quis dizer quando orava ao Pai pedindo para afastar o cálice? (Lucas 22:39-45)
Que cálice era esse? Note que nas linhas anteriores do mesmo texto Ele diz: "Orem para que não caiam em tentação".
O que seria uma verdadeira tentação para Jesus?
Penso que seria voltar a ter a glória do passado, pois a dor e o sofrimento de carregar sobre si toda a culpa da humanidade era muito peso. A tentação estaria no fato de que com uma simples palavra poderia mudar o curso do plano de Deus e voltar a dominar sobre todo o universo e deixar o legado da escolha do homem para o próprio homem (separação eterna de Deus).
O plano estaria acabado Jesus voltaria à glória eterna e o homem jamais se encontraria com Deus novamente! Graças à firmeza, amor e conhecimento do Pai, Jesus se manteve integro e cumpriu cabalmente tudo o que era esperado por parte do Pai - foi até a morte e morte de cruz, humilhado, abusado e rejeitado.

A oração de Jesus era coerente, cheia de significado, intensa em sentido, com um firme alvo em construir uma ponte de reconciliação entre Deus e os homens.
A minha prática de oração é cheia de incoerências, vazia de significados, cheia de sentido individual e egoísta. O Emanuel (Deus conosco) parece que não é verdade, note que muitas vezes eu oro "Pai entrando em tua presença...”, na minha vez de orar em comunidade "Continuando em tua presença...", como se a presença dEle fosse dali para colá conforme eu o invoco!
Talvez pensar e refletir sobre o que Ele é antes de "orar" seria um caminho para uma oração mais sincera e menos infantil.
Assim como para Jesus - nosso modelo - a vida nos impõe diversos obstáculos, circunstâncias, alegrias, desafetos, sofrimentos, emoções, e etc., encarar tudo e mesmo assim querer viver esta vida com todos seus desdobramentos é muito doloroso.

Note que: viver esta vida como seres humanos, assim como Cristo foi humano, não como seres detentores de uma senha secreta!
Senha que ao menor sinal perigo invoco o poder do Deus eterno e munido desse poder venço qualquer um ou coisa que interfira no "meu" caminho.


Essa dor nos leva a basicamente duas atitudes, encerrar ou negar a realidade.
Negação:

  • Prefiro nem saber da violência urbana, contanto que ela não me atinja;
  • Prefiro não ver as atrocidades da guerra no Iraque, por exemplo;
  • Prefiro não ver nem me envolver com os necessitados;
  • Prefiro não encarar a dor da perda;
  • Prefiro consumir exaustivamente conforme o modelo Americano e não me importar com o que estou fazendo em relação ao meu próximo e ao meio ambiente (que, diga-se de passagem, não esta em nenhuma escatologia bíblica, a escatologia que mais gostamos é importada dos EUA só diz respeito ao Armagedom);
  • Prefiro me resguardar da realidade;
  • Prefiro negar a doença e crer no milagre;
  • Prefiro pensar como o Maurício de Souza, que tudo acaba bem;
  • Prefiro nem pensar nas milhares de crianças que morrem por falta de comida;
  • Prefiro não pensar que os teste com medicamentos são aplicados constantemente na África, num povo sem voz;
  • Prefiro pagar um carnê Gideão do que arregaçar as mangas;
  • Prefiro beber um copo de água, rezar um terço, confiar em outra intermediação além de Cristo;
  • Prefiro acreditar que as coisas são resolvidas com uma barganha com Deus, eu me sacrifico para receber;
  • Prefiro achar que a vida refere-se somente a mim e o que me envolve, e o pior justificar isso como uma sucessão de milagres, sem me importar se o meu próximo esta privado de dignidade, justiça, amor, respeito, saúde - o milgre tem abrangencia universal no sentido de UNIVERSO e tudo que o compõe - mas este é um outro assunto para um outra edição.
  • Prefiro negar e negar, e se algo me chocar, nego de novo.

  • Vamos na próxima edição tratar de Encarar a realidade sobre a oração e sua coerência:


    Continua....